Filmes em casa concorrem com o cinema tradicional

Por Clovis Vieira
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Netflix, HBO, Prime Vídeo, Apple TV, Disney, Paramount… Os serviços de streaming de filmes e séries há muito tempo já fazem parte do orçamento de 79% dos brasileiros, segundo uma pesquisa realizada pela Serasa (Serviço de Assessoria S.A.) e divulgada pelo site da CNN. Ao mesmo tempo, 70% dos entrevistados se viram frequentando menos o cinema. A pesquisa também mostra que 7 em cada 10 brasileiros admitem estar reduzindo a frequência às salas de cinema, trocando uma despesa pela outra.

Entre os motivos alegados que levaram a diminuir a frequência no cinema, 39% dos entrevistados afirmam que conseguem ver produções no conforto de casa e 16% dizem que não veem necessidade de sair de casa para assistir algo. Já 37% destacam o aumento dos custos para ver um filme na telona. Outros 16% afirmaram que normalmente os conteúdos que querem ver não estão no cinema.

Conforto: assistir a filmes em casa tem algumas vantagens que os espectadores vêm preferindo em vez de ir ao cinema (Reprodução/Via Google)

PRIMEIRA CÓPIA

Em 1986, a cidade ganhava a locadora de filmes em vídeo ‘Primeira Cópia’, aberta na praça José Pires por Antônio Eduardo Cautela Lopes. Antes disso, ele e Ramiro Giannelli Neto, o ‘Peninha’, anteriormente já alugavam filmes em fita de videocassete. “Antes de retornar a São João em 1982, depois de 22 anos residindo em São Paulo, eu já atuava no ramo de videocassetes na capital”, contou. Durante o tempo de existência da ‘Primeira Cópia’, até 1993, Toninho afirma ter aberto 2 mil fichas de clientes, que naquele tempo tinham em casa um aparelho de videocassete.

Próximo do final dessas atividades, o empresário já antecipava a abrangência das antenas parabólicas e a facilidade que trariam no entretenimento caseiro; diante disso, chegou a pensar em mudar de ramo de negócios. Ele avalia que a abertura de sua locadora tenha estimulado o surgimento das demais lojas nesse segmento em São João; entre elas a Lauer Vídeo. “A cidade ganhou muito em entretenimento com a abertura dessas lojas. Imagine só: nós já oferecíamos os filmes antes da festa do Oscar ser televisionada! Então, quando aquele programa ia ao ar, muita gente aqui na cidade já tinha assistido aos filmes premiados”.

Observando a atual movimentação de plataformas de streamings, Toninho Cautela avalia: “Naquele tempo, eu só me preocupava com as possibilidades das antenas parabólicas. Veja só os dias de hoje… inimagináveis! A oferta de entretenimento caseiro melhorou muito, em tão pouco tempo”, finalizou.

A PESQUISA

Atualmente, os brasileiros pagam em média dois serviços de streaming e gastam até R$ 100 por mês em assinaturas, sendo 68% um único responsável pelo pagamento e 51% compartilham os acessos com amigos e familiares. Netflix, no entanto, já proibiu esse compartilhamento. Em relação às preferências, a pesquisa aponta que 68% preferem assinaturas mensais. Já 4 em cada 10 brasileiros não conseguem se comprometer com o gasto extra e 40% têm medo de ser endividar em função das várias assinaturas de streaming.

Para a pesquisa, a Serasa ouviu 2 mil pessoas em julho de 2024, sendo 52% mulheres e 48% mulheres, de todos as regiões do Brasil. A maior parte dos entrevistados moram no Sudeste (45%), Nordeste (25%) e Sul (15%). Moradores do Norte e Centro-Oeste representam 9% e 8% dos entrevistados, respectivamente. A idade varia entre 18 anos e 50 anos ou mais.

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