Morre dona Ica, matriarca da família Assad

Por Clovis Vieira
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“Ontem à noite ela virou anjo”. Foi assim que Badi Assad se pronunciou nas redes sociais a respeito da morte de sua mãe, dona Ica, ocorrida na noite da quarta-feira (7), aos 94 anos, após algumas semanas sob intensos cuidados médicos. Matriarca da internacionalmente famosa família Assad, ela própria era uma artista musical de inúmeros recursos. Casada com Jorge Assad por 64 anos, foram muitas as vezes que ela também subiu ao palco para cantar, já que o marido se tornou um exímio violonista e bandolinista que se apresentava na noite, em bares e restaurantes.

Outro palco: dona Ica Assad partiu para a eternidade (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Esposa dedicada ao marido, que conheceu aos 14 anos de idade, e aos filhos Sérgio, Odair e Mariângela, a Badi, dona Ica foi o apoio que a família precisava para dedicar-se à música. Sua morte ainda é sentida em todo meio cultural sanjoanense. Sua presença, seja no palco, seja na vida de muitas pessoas, foi marcante e cheia de ensinamentos. O sepultamento de dona Ica ocorreu na quinta-feira (8), às 16h, no Cemitério Municipal São João Batista.

DEPOIMENTOS

“No dia 7 de agosto, nos despedimos de uma mulher extraordinária, a matriarca de uma família tão extraordinária quanto ela, que nos ensinou tanto com sua alegria de viver, sabedoria, força e amor. Seu legado é imensurável, pois tocou a vida de tanta gente de maneira única e inesquecível. Seu exemplo inspirador continuará vivo em nossas memórias e corações. Dona Ica, sua presença sempre foi iluminada e continuará sendo. Sua fé na vida, seu riso e seu canto inspiraram cada um de nós a sermos pessoas melhores, a valorizarmos a importância de estarmos sempre juntos, cantando e festejando a vida. Sentiremos sua falta profundamente, mas sabemos que seu espírito estará sempre conosco, guiando-nos e nos fortalecendo, como sempre fez.” – Fafá Noronha e Vânia Noronha, criadoras e organizadoras do Festival Assad.

 “Um fato que eu considero primordial em relação ao caráter de Dona Ica, ao seu jeito de ser, é que ela mostrava que a gente consegue fazer as coisas dentro da simplicidade, da humildade. O amor que ela tinha pelas pessoas ela não tinha o menor pudor em dividir. Ela abraçava todo mundo, como se todo mundo fosse a família dela. Pra mim, esse é o grande legado de dona Ica, porque o mundo está precisando de gente assim como ela. Eu estou muito emocionada dizendo essas coisas, mas é isso o que ela representava para mim e para as pessoas que frequentavam a casa dela, sempre com um abraço e um sorriso. Mesmo que estivesse com o coração partido, ela dava um jeitinho de acolher e de se fazer presente. Ela é uma dessas pessoas que farão falta no mundo, pelo exemplo que deu.” – Sílvia Ferrante, multiartista.

 “Por 94 anos, existiu aqui no nosso território um anjo chamado Dona Ica. Uma alma pura, movida pelo amor. Inspirou seus filhos e amigos, a quem chamava de ‘filhos agregados’, os quais sempre tratou com muito amor e dedicação, seja só para bater um papo, ou buscar um conselho para viver a vida musical. Foram tantas experiências, ela tinha muitas histórias pra contar e nos alertar de que ser músico não era tarefa fácil. Ainda nós, como alunos devemos um sofá novo pra ela já que afundamos dois deles, por ficar ali na sua sala estudando com senhor Jorge, por horas. Além disso, também tive a oportunidade de ter aulas com dona Ica, de como acompanhar um cantor, por exemplo, sempre após algumas horas tocando choro com senhor Jorge, depois era a hora de acompanhá-la nas serestas. Gratidão dona Ica por tudo que fez por mim pela minha família, não tenho palavras a altura da grandeza que foi sua participação em minha vida. Te amamos pra sempre!” – Micael Chaves, músico, idealizador e diretor do Clube do Choro “Jorge Assad’.

 “A mente de dona Ica sempre foi um lago profundo, repleto de peixes, cercado de árvores frondosas e floridas. Sempre foi. Seus muitos anos vividos foram sempre intensos em generosidade e dedicação. As memórias são muitas, assim como a consciência da grandeza de sua alma. Dona Ica sempre me ensinou a olhar o lado cheio do copo vazio, em devoção e fé. Suas velinhas sempre foram solicitadas em momentos de necessidade, fossem quais fossem, sejam quais sejam. Sua força nos inspira. Quando ela canta, nos arrepiamos com sua diva música particular, que exala, através da voz e poros, um som que silencia os ambientes. Quem já esteve presente em suas rodas musicais, sabe! Hoje vamos celebrar a vida dessa Grande Dama, Grande Mulher, uma Rainha, Sábia. Seu coração sempre baterá em nós. Sou grata pelos exemplos que nos trouxe e traz, por tudo que fez por mim, por me ensinar tanto, não através de palavras apenas, mas por exemplos vividos cotidianamente. Obrigada mãe! Por ter me ensinado o poder de ser mulher e de honrar o feminino com elegância. Você é significativa na vida de cada um de nós. Avo é dona Ica!” – Badi Assad.

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