Ministério Público recebe denúncia de suposto crime de capacitismo na UPA

Da Redação

O Ministério Público foi acionado para averiguar a denúncia de um suposto crime de capacitismo envolvendo o influenciador digital José Urias de Barros Filho, conhecido popularmente como Carioca. O fato ocorreu na segunda-feira (6), enquanto ele fazia uma live na frente da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Vila Conrado, em São João da Boa Vista. A vítima foi o servidor público municipal Rodolfo Assuani, que tem necessidades especiais e trabalha como auxiliar administrativo cedido ao Instituto de Gestão de Políticas Públicas (IGPP), organização social que gerencia as unidades de saúde do município.

A vítima foi o servidor público municipal Rodolfo Assuani, que tem necessidades especiais e trabalha como auxiliar administrativo (Arquivo/Pedro Souza/O MUNICIPIO)

Conforme apurado, Carioca realizava uma transmissão de vídeo ao vivo relatando problemas relacionados ao atendimento do local. Na ocasião, ele se desentendeu com o funcionário e, a partir daí, teria se referido a ele  com termos preconceituosos. “Vou respeitar você por ser ‘esquisito’!”, disse o comunicador. “Por que você não ajuda a cuidar desse povo aqui, hein, ‘o esquisito’?!”, continuou.

O fato foi transmitido ao vivo para vários seguidores do influenciador digital e rapidamente foi alvo de uma série de críticas. Diante da repercussão negativa, horas depois, Carioca postou outro vídeo, desta vez se desculpando e alegando que não sabia que Assuani tinha necessidades especiais.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Diante desse fato, a Prefeitura de São João remeteu um ofício ao MP, reportando o ocorrido e solicitando para que sejam tomadas as medidas cabíveis a este caso. “Ressalte-se que a discriminação foi praticada no próprio local de trabalho da vítima, durante o exercício de suas funções, o que aumenta a gravidade da conduta”, relatou a administração municipal. “Além disso, o fato de as ofensas terem sido proferidas durante uma transmissão ao vivo na internet, com grande número de expectadores online e presentes, amplifica significativamente o dano à honra e à dignidade da vítima, bem como o alcance da discriminação”, observou.

CARIOCA SE PRONUNCIOU

Procurado pelo jornal O MUNICIPIO, Carioca se defendeu e alegou que não sabia que Assuani era portador de necessidades especiais. “Eu não ataquei ninguém. Ele que veio me atacando. Eu nem sabia que ele tinha ‘problema’. Sempre vejo ele nas baladas e nos bares”, justificou.

O influenciador digital ainda alegou que o servidor teria sido colocado propositalmente na UPA para inibir eventuais ‘reportagens’ sobre os problemas da unidade. Ainda declarou que tudo teria sido ‘armado’, atribuiu o fato a questões políticas e afirmou que Assuani teria obedecido a um suposto ‘comando’ dado pelo vereador Rodrigo Barbosa (PP), que também trabalha no local.

PAZ PARA TRABALHAR

Em entrevista, Assuani comentou sobre o desacato que sofreu. “Imagina você estar trabalhando e vem um sujeito atormentar seu local de trabalho. Ainda mais eu que trabalho em um espaço público como a UPA. É [uma situação] difícil para mim! A única atitude que tive que tomar foi aquela mesmo!”, comentou.

De acordo com o servidor, o Departamento de Saúde e o IGPP estão tomando providências em relação ao caso e sua expectativa é que possa trabalhar normalmente, sem ser desrespeitado.

“Estou me virando. Eu digo sempre que essa é nossa obrigação moral. A gente tem que defender o lugar onde estamos”, concluiu o funcionário público.

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