Dia do livro deste ano não tem muito a comemorar

Por Clovis Vieira
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Em 23 de abril, comemora-se Dia Mundial do Livro. A data foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em celebração ao registro da morte de três grandes escritores da história: William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega.

Incentivo: alunos do CEI mostram seus livros preferidos (Divulgação/Experimental Integrado)

E, também, para celebrar o livro, incentivar a leitura, homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais. A questão principal é: há o que comemorar? “Eu percebo que a venda de livros oscila muito. Há picos positivos, quando os incentivos governamentais aceleram as vendas e o consumo. Mas passamos agora por um momento inverso”, admitiu Luís Felipe Félix Leopoldino, proprietário da livraria Canto do Saber.

OS NÚMEROS

O ano de 2023, para o varejo de livros no Brasil, fechou em declínio, segundo o Painel do Varejo de Livros no Brasil de 2023, em pesquisa realizada pela Nielsen BookScan e divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livro (Snel). O painel registrou um volume de livros 7,13% menor que em 2022 e um faturamento 0,78% menor no mesmo período. “As vendas caíram muito e a causa principal é a venda pela Internet, onde as lojas virtuais praticam preços que a gente não pode oferecer”, lamentou Celina Motin, da Livraria Grafitte.

Luís Felipe concorda: “Embora o Tiktok venha fomentado o despertar de novos leitores, sinto que a cultura do livro está mais presente numa minoria rica, que tem optado por comprar apenas em e-commerces como a Amazon”. Em 2023, as vendas em números reais foram 54,43 milhões de livros movimentados, contra 58,61 milhões em 2022; e uma arrecadação de R$ 2,52 bilhões contra R$ 2,54 bilhões naquele ano. O que ajudou o faturamento a não ter uma queda maior foi a inflação, apontou o site Publishnews.

CRIAR LEITORES

A solução, avaliam autores, livreiros e o público, será manter e melhorar a criação de novos leitores. “Hoje, nós utilizamos um aplicativo que se chama ‘Leia São Paulo’, onde os meus alunos praticam leitura online de livros pré-selecionados”, explicou Lilian dos Santos, pedagoga e professora de Português na rede pública há mais de 20 anos, além de ser coordenadora pedagógica na área de linguagem. Junto com mais três professoras, Lilian permanece na sala de leitura durante o intervalo das aulas: “A partir das preferências de leitura dos alunos, nós os ajudamos a selecionais os livros para uma leitura de fruição (de maior proveito, deleite)”.

A mesma motivação ocorre no colégio Experimental Integrado: “Na escola, o incentivo à leitura é constante e está presente em todas as aulas. Entendemos que a leitura amplia o vocabulário, auxilia no processo de alfabetização, desenvolve o raciocínio e proporciona um conhecimento amplo e diversificado sobre vários assuntos”, garantiu a coordenadora e professora Maria Aparecida Gaspari.

Vanessa Pinheiro, professora de Redação da mesma escola, explicou: “No dia a dia, busco incentivar a leitura de diversas maneiras, inclusive nos projetos multimídia. A ideia é incorporar tecnologias interativas e recursos digitais para tornar a experiência de leitura mais envolvente e acessível aos alunos. Isso inclui a criação de podcasts, entrevistas, vlogs literários e produção de curtas-metragens inspirados em livros”.

Da mesma forma, Emiliana Wenceslau Almeida, coordenadora Pedagógica da Escola de Infância do Experimental Integrado, assegurou: “O incentivo à leitura é uma prioridade em nosso ambiente educacional, ele é a porta de entrada para um mundo de possibilidades e aprendizados. É por isso que investimos em diversos eventos, estruturas e ações que promovam o gosto pela leitura desde a Escola de Infância”.

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