Dengue: à beira dos 200 casos em dois meses, São João teme epidemia

Por Marcelo Gregório
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No período de janeiro a março de 2023, São João da Boa Vista registrou 18 casos positivos de dengue. Este ano, ainda sem concluir os dois primeiros meses, o Departamento Municipal de Saúde já somou um volume de 198 pessoas acometidas pela doença no município, conforme o boletim divulgado na quarta-feira (21).

Nebulização costal: agentes usam bombas nas costas jogando inseticida para eliminar mosquito adulto (Divulgação/Prefeitura de São João)

Os números preocupam, pois houve registros de pacientes internados com a doença. Até o momento, a cidade teve 366 notificações, 148 casos negativos e 20 pessoas aguardando pelo resultado. Não houve óbito. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, houve 715 mil casos prováveis de dengue e 135 mortes confirmadas até quarta-feira (21).

Esse crescente de casos, principalmente na zona sul de São João, tem feito as autoridades municipais ligarem o sinal de alerta. Tanto que, no sábado (24), das 7h às 11h, teve o Dia D com a presença de agentes de Vigilância Ambiental e agentes comunitários de Saúde visitando residências no Jardim dos Ipês. “Nós estamos em São João com um grande número de pessoas procurando os nossos serviços. Não adianta a gente falar que vai combater e erradicar, porque a gente está num país tropical. Então, a gente tem todas as condições climáticas aqui para a apropriação do mosquito. O que a gente tem que fazer é controlar e ter o mínimo de agravamento de pessoas doentes e contaminadas”, explicou o diretor municipal de Saúde, Fábio Ferraz, durante live na quarta-feira (21) na página da prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedroza (PL).

Ferraz ressaltou que em São João há um diferencial devido a administração municipal possuir equipe de agentes de Vigilância Ambiental trabalhando durante o ano todo no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, que se contaminado, também transmite Chikungunya e zika. “Tem uma equipe de servidores concursados trabalhando todos os dias o ano inteiro no controle da dengue. Então, diariamente esse pessoal está nas ruas levando informações [e] conscientização para a população, porque somente com a ajuda da população a gente vai conseguir controlar essa doença”, afirmou o diretor.

LEGISLATIVO

Embora haja o esforço para que a cidade não decrete epidemia de dengue, o vereador Gustavo Beloni (PODE), que é servidor público municipal no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), levou o assunto para a sessão da Câmara Municipal de segunda-feira (19). Na Tribuna, Beloni pediu ao Executivo reforço nas ações de combate. “Em 2015 foi decretada epidemia de dengue na cidade e estamos caminhando para isso. Eu queria pedir uma atenção especial à prefeita e ao diretor de Saúde para investir no Centro de Controle de Zoonoses. Tem aumentado muitos casos e a equipe é muito pequena. Nós temos 14 ou 15 agentes de Vigilância Ambiental para fazer todo o mapeamento da cidade, casa a casa, ponto estratégico e agora aplicando a nebulização costal. O ‘veneno’ que se passa é bem eficiente. Então, tem que ir de casa em casa. Gostaria, nem que fosse em regime de urgência, contratar esse serviço”, destacou o vereador.

ESTRATÉGIA

Durante a semana, os agentes da Prefeitura estiveram no Jardim Primavera fazendo a nebulização costal usando outra estratégia, segundo o responsável pela pasta. “Os nossos agentes vão com aquelas bombas nas costas jogando inseticida, nebulização costal, cujo objetivo é eliminar esse mosquito adulto. Esse inseticida não tem efeito na larva. Os agentes estão fazendo a nebulização para interromper a transmissão. Essa ação só é utilizada quando há um grande número de infectados numa mesma região”, alertou Ferraz.

AJUDA DA POPULAÇÃO

A recomendação para os moradores é ajudar a evitar que o mosquito nasça. “De que forma a gente pode fazer isso? É eliminando todo local que acumula água. Olhar tanto no quintal quanto dentro de casa. Tempos atrás, a gente focava muito nos vasos de plantas, garrafas, pneus. Hoje, a gente não encontra muito mais isso mais nos quintais. O mosquito se adequou. A gente tem que observar os bebedouros de água, reservatórios da geladeira, porque a gente encontra bastante larvas ali. Tampinha de garrafa no quintal, brinquedos, plantas com vaso de água. Por isso é importante a participação da população”, pediu o diretor.

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