Dengue: sintomas e sinais

Por Ana Paula Fortes
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Quando se trata de dengue, não há discriminação: ela atinge desde crianças a idosos, sejam homens ou mulheres, de qualquer raça ou cor. Os sintomas mais comuns se iniciam com febre repentina e alta, dor forte de cabeça, geralmente na parte de trás dos olhos, vômito, dores nos músculos e articulações, desenvolvimento de erupções cutâneas e fadiga.

Dias ‘terríveis’: Andreza (à esq.) ao lado da filha Valentina

DENGUE

A dengue é uma doença viral causada pelo vírus (DENV) do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. Com quatro sorotipos diferentes – DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4 -, a principal forma de transmissão é pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti. Outras formas menos comuns de transmissão incluem transfusão de sangue e transmissão da gestante para o bebê. É importante ressaltar que não há transmissão por contato direto com a pessoa doente.

NÚMEROS

Segundo o Boletim Informativo da Prefeitura de São João, divulgado na segunda-feira (19), foram confirmados 129 casos da doença apenas nesse início de ano.

Comparando o número de infectados de janeiro do ano passado a janeiro desse ano, o resultado é surpreendente: 2.433% de aumento. Em fevereiro de 2023, nove pessoas foram positivadas com a doença. Já na primeira quinzena do mesmo mês de 2024, 56 casos foram confirmados.

Devido ao alto número de infectados pelo Brasil, muitos municípios criaram campanhas de conscientização e mutirões de limpeza. A Prefeitura de São João opta por não realizar campanhas, mas em fazer um trabalho contínuo no município.

“O serviço é fixo e permanente, todos os dias os servidores estão na rua”, explicou o Departamento Municipal de Saúde. “Nesta semana, as ações estão focadas no serviço de nebulização costal (bomba nas costas) com aplicação de inseticida para matar os mosquitos adultos. As ações estão ocorrendo nos bairros Jardim Resedás e Novo Horizonte, onde temos um maior número de casos notificados”.

Fraqueza: paciente precisou aguardar por atendimento deitada (Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal)

CASOS

Foi no dia 22 de janeiro que Valentina, de apenas 6 anos de idade, começou a sentir os primeiros sintomas. “Logo de manhã, percebi que ela estava quente e, ao medir a febre, vi que estava 38.5ºC, dei um remedinho e a febre baixou. Na tarde desse mesmo dia, ela reclamou de dor nos olhos e percebi que a febre havia voltado, agora já bem mais alta, 39.7ºC. Corri com ela para o hospital pensando numa gripe forte, porque os olhos lacrimejavam como quando estamos com gripe, mas a médica assim que a viu resolveu fazer um exame para saber se era dengue. E era”, contou a mãe de Valentina, Andreza Lima dos Santos.

Não há medicamento específico para o tratamento da doença, a não ser aqueles que aliviam os sintomas, como antipirético para a febre e muita hidratação. “É muito difícil fazer com que a criança, que já está com a boca amarga por conta da doença, tome 1 litro de soro por dia. Quando eu forçava ela vomitava, o que de nada adiantava”, disse a mãe. “A médica me explicou que o quinto dia da doença é o pico, podendo alterar para uma dengue hemorrágica, e por prevenção e para hidratação intravenosa ela achou por bem interná-la”.

Valentina saiu do hospital no sábado (6), dias após os primeiros sintomas. “Mas até que ela estivesse totalmente recuperada, teve outros sintomas como dores na barriga, nas pernas, quase não conseguir andar, teve pintinhas vermelhas pelo corpo e coceira”, explicou Andreza.

EMAGRECER

Silvia de Campos, 53, também foi alvo da doença. Na manhã de umaa terça-feira, dia 23 de janeiro, Silvia acordou com muita dor de cabeça. “Era como se minha cabeça estivesse muito pesada. Quando fui tomar banho para ir trabalhar, senti uma fraqueza, uma dor no corpo, deitei e comecei a passar mal. A dor era do ‘fio do cabelo ao dedão do pé’. A fraqueza era tanta que enquanto eu estava no hospital aguardando atendimento eu tive que deitar nas cadeiras”, relembrou.

Os sintomas de Silvia permaneceram por cerca de 15 dias. “Mas, os oito primeiros realmente foram os piores, tive total perda de paladar, nenhuma fome, muita dor de cabeça, dor no corpo e fraqueza extrema. Precisei tomar 3,5 litros de soro por dia”, disse Silvia, que emagreceu 4 kg durante essa fase.

COVID-19

Neste momento, é possível observar que cresce não apenas o número de pessoas infectadas com a dengue, mas também com a Covid-19, principalmente após as comemorações do Carnaval.

Uma empresária de São João, que optou pelo anonimato, buscou a ajuda médica na segunda-feira (12) após desmaiar na sala de casa. “Eu estava me sentindo fraca, irritadiça e com dor de cabeça, mas não levei os sintomas muito a sério, até desmaiar. Quando cheguei no hospital fiquei assustada com os resultados: dengue e Covid”, contou.

C.F.M. afirmou que tinha realizado teste de Covid no início do ano devido as festividades e nada constou. “Passei uma semana terrível, não tive condições de levantar da cama. No hospital, até na espera, eu precisei ficar deitada. Tive dores por todo o corpo, febre, cansaço, foram tantos os sintomas, que é até difícil enumerar”, relembrou.

PREVENÇÃO

Evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, e evitar picadas desse mosquito, são as únicas formas de prevenção. Por isso, é importante usar calça e blusa de manga comprida em tempos de epidemia; passar repelente diariamente as áreas expostas do corpo; colocar telas de proteção em todas as janelas e portas da casa e evitar locais com epidemia da dengue. Em casa, não se deve deixar água acumulada; destinar de maneira correta o lixo e outros resíduos; cobrir caixas d’água e a água dos animais domésticos; utilizar areia nos vasos de plantas e deixar garrafas e outros recipientes de cabeça para baixo.

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