Dengue: risco de hemorragia amplia com automedicação

Por Marcelo Gregório
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Dados atualizados do painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde mostram que o País somou 653.656 casos prováveis de dengue em 2024, com 113 mortes confirmadas. Também houve 30 mil casos prováveis de Chikungunya (com 4 mortes confirmadas) e 341 casos prováveis de zika e nenhuma morte.

Automedicação: prática inadequada pode aumentar o risco de sangramento e complicações (Reprodução/Getty Images)

Em São João da Boa Vista, a cada boletim divulgado pelo Departamento Municipal de Saúde, os números indicam elevação de casos de dengue. A cidade havia registrado, até sexta-feira (16), 125 casos confirmados, 292 notificações, 118 casos negativos e 49 pessoas aguardando pelo resultado. Na segunda-feira (19) já eram 129 casos.

Uma das grandes preocupações, diante do volume de casos no País, tem ligação com a automedicação. Dengue, Chikungunya e zika são doenças causadas por um vírus e seu principal vetor é o mosquito Aedes aegypti. São também caracterizadas por apresentar febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, enjoos, vômitos e manchas vermelhas.

Não há um medicamento específico para o seu tratamento, mas por apresentarem sintomas comuns a outras doenças, muitas vezes a população acaba se automedicamento e consumindo medicamentos que não são indicados. A prática inadequada pode aumentar o risco de sangramento e complicações.

Isso ocorre porque medicamentos com a substância salicilatos (ácido acetilsalicílico, ácido salicílico, diflunisal, salicilato de sódio, metilsalicilato, dentre outros) favorecem o aparecimento de manifestações hemorrágicas e acidose, elevando a riscos severos da doença.

MEDICAMENTOS

Por não existir subsídio científico que dê suporte clínico ou segurança ao uso de anti-inflamatórios, estas substâncias também são contraindicadas para doentes de dengue, já que podem também aumentar a tendência hemorrágica. Alguns exemplos de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) são: indometacina, ibuprofeno, diclofenaco, piroxicam, naproxen, sulfinpirazona, fenilbutazona, sulindac, diflunisal. Além desses, há os anti-inflamatórios hormonais ou corticoesteróides como prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona.

Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF-SP), no momento da compra do medicamento, a população deve pedir orientações aos farmacêuticos para evitar tais riscos. “É o profissional de saúde mais acessível, está sempre disponível nas farmácias, é capacitado para orientar o paciente, encaminhá-lo para os serviços de saúde e evitar possíveis complicações para sua saúde”.

Os sintomas da dengue só podem ser diagnosticados por um médico, mas já é estudado o início da abordagem aos pacientes nas farmácias com medidas não farmacológicas, tais como a indicação de repouso e ingestão de líquido.

Nos casos de febre hemorrágica, o CRF alerta que é necessária uma observação criteriosa para a identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão e encaminhar o paciente imediatamente ao serviço médico.

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