Por Marcelo Gregório
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A confusão que se formou em um trecho da avenida Dr. Durval Nicolau — Colina da Mantiqueira — em São João da Boa Vista, durante as festividades carnavalescas na noite de segunda-feira (13), ocasião em que a Polícia Militar usou bombas de efeito moral para evacuar a via pública, ainda repercute na cidade com diferentes versões.

Na referida data, em frente ao estabelecimento comercial ‘Quintal’, parte da avenida havia sido reservada, com autorização da Prefeitura, até 21h, para a exibição de um bloco carnavalesco. Segundo um dos relatos obtidos pela reportagem do O MUNICIPIO, os organizadores já teriam cumprido o horário estabelecido, porém, grande parte do público permaneceu no local. “A gente já tinha passado a mensagem que havia finalizado o evento da rua para o Setor de Trânsito [para] que pudessem evacuar a rua. Foi esse o combinado inicial, só que não conseguiram fazer nada e por fim [os policiais] acabaram jogando bomba pela rua para expulsar a turma”, disse um homem que pediu para não ser identificado.
A Polícia Militar explicou o motivo do confronto com parte dos foliões nas imediações. “A ação, desencadeada pela briga generalizada entre alguns foliões por volta das 23h, levou à necessidade de intervenção policial devido à quebra da ordem pública, com o objetivo de dispersar a multidão. Durante a intervenção, alguns indivíduos arremessaram garrafas de vidro contra os policiais, o que levou à utilização técnica de Controle de Distúrbios Civis (CDC) para conter a situação e evitar maiores danos. Algumas munições foram empregadas, incluindo granadas de efeito moral, luz e som e lacrimogênea, como resposta à quebra da ordem pública”, afirmou o comandante do 24º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), tenente-coronel PM Marcelo Domingos Facadio.
À reportagem, a PM assegurou que não houve feridos graves durante a intervenção, mas uma senhora, devido à inalação de gás lacrimogêneo, precisou ser socorrida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e permaneceu em observação até ser liberada. “Após a ação, as vias foram desobstruídas e o fluxo de veículos foi normalizado. O diretor do Departamento de Engenharia compareceu ao local, notificou o Bar Quintal e determinou o encerramento das atividades na data”, pontuou Facadio.

ESTABELECIMENTO
Na quarta-feira (14), a direção do ‘Quintal’ publicou em uma de suas redes sociais nota de esclarecimento acerca da confusão. “O encerramento do bloco de rua foi previamente combinado com a prefeitura para às 21h. Cientes disso, às 20h30, paramos o som para colaborar com o Setor de Trânsito e a Polícia, encarregados de liberar a rua. Antecipando possíveis dificuldades e visando cooperar com as autoridades, antes de desmontarmos o sistema de som na rua, realizamos dois anúncios em momentos distintos pelo microfone informando aos foliões sobre o encerramento do evento e a importância de desocupar a via para restabelecer o fluxo normal do trânsito. Às 21h30, ligamos o som ambiente para os presentes no interior do Quintal, para um evento privado não relacionado à prefeitura, que ocorreria após o bloquinho. Os responsáveis pela evacuação da rua não empregaram nenhuma estratégia para tal fim. Ao perceber que o movimento na rua não diminuía, por volta das 22h, reduzimos o volume do som no bar, com o intuito de auxiliar os agentes responsáveis pela liberação da via. Retomamos o som ambiente no bar e por volta das 23h20 a polícia perdeu o controle da situação, resultando no uso de spray de pimenta e bombas de efeito moral na entrada do estabelecimento. Fomos obrigados a encerrar a festa. Lamentamos profundamente por essa situação”, explicou a nota do estabelecimento.
O comandante do Batalhão voltou a afirmar que o posicionamento dos policiais foi adequado na ocasião. “A Polícia Militar reforça seu compromisso com a segurança da população e a manutenção da ordem pública, atuando de maneira proporcional e necessária diante de situações críticas”, destacou o tenente-coronel.
BALANÇO REGIONAL
A ‘Operação Carnaval’ conduzida pelo 24º BPM/I ocorreu nos 16 municípios de sua responsabilidade, incluindo Águas da Prata, São Sebastião da Grama, Divinolândia, Espírito Santo do Pinhal, Aguaí, Santo Antônio do Jardim, Vargem Grande do Sul, Casa Branca, Itobi, Tambaú, Santa Cruz das Palmeiras, Mococa, Tapiratiba, Caconde, São José do Rio Pardo e São João da Boa Vista. A operação teve como foco a realização de ações de policiamento na prevenção e combate a atos criminosos.
De acordo com o comando da PM, a operação na região resultou na abordagem de 1.488 pessoas, inspeção de 1.106 veículos, prisão em flagrante delito de oito homens e a implementação de 117 pontos de bloqueio de trânsito. “O 24º Batalhão de Polícia Militar do Interior, em conformidade com sua missão principal, busca atender aos anseios da população da média Mogiana, promovendo uma prestação de serviço eficaz, eficiente e efetiva por meio de suas ações operacionais”, encerrou Facadio.




