Sanjoanense participa de edital de residência e prepara segundo livro

Por Clovis Vieira
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Nas 7ª e 8ª edições do Programa de Editais de Residência em Pesquisa, da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, a sanjoanense Mariana França Soutto Mayor participou com destaque na modalidade de pós-doutorado, com investigação sobre as relações entre teatro e escravismo no Brasil. A sessão ocorreu na segunda-feira (5). O título do seu trabalho é ‘O Negreiro à frente do teatro: José Bernardino de Sá na direção do Theatro Imperial São Pedro de Alcântara (1845-1851)’. Atualmente, este é o Teatro João Caetano, em São Paulo (SP).

Mariana França Soutto Mayor: realiza pós-doutorado em História na Universidade de São Paulo (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Mariana realiza, no momento, o pós-doutorado em História, na Universidade de São Paulo (USP). “O interesse em pesquisar as relações entre teatro e escravismo no Brasil surgiu como consequência da minha tese de doutorado, intitulada ‘Espetáculo disforme: o trabalho teatral da Casa da Ópera de Vila Rica (1769-1793)’”. Entre estudos sobre os motivos de sua construção, modos de organização, repertório, temporadas, espetáculos e público, a estudante deparou-se com o fato de que a maior parte dos trabalhadores do teatro eram negros e mestiços, alguns inclusive em condições próximas à escravidão.

RESIDÊNCIA

O próximo passo foi o edital de residência. “Entrei em contato com a profª. dra. Iris Kantor, do Departamento de História da USP, que já vinha me acompanhando desde a graduação, e apresentei a ideia. Iris tornou-se minha supervisora e sugeriu que eu aplicasse para o edital de residência em pesquisa da Biblioteca Brasiliana José e Guita Mindlin (BBM-USP), ainda em 2021”.

O trabalho de Mariana destaca esses anos de administração de Bernardino de Sá, que era português, foi um poderoso contrabandista de africanos no Império e chegou a ser um dos principais acionistas do Banco do Brasil. E indaga sobre suas motivações, escolhas artísticas e políticas dentro do teatro, ao mesmo tempo em que procura pensar as tensões da/na cena a partir do repertório representado, das críticas de jornal e do trabalho hierarquizado e racializado dos artistas no teatro.

LIVRO

Mariana está trabalhando na edição de um livro a partir da tese de doutorado, que incluirá pesquisas do pós-doc dela. “Com a maternidade (sou mãe do Manuel, de 1 ano e 7 meses) e o trabalho (sou professora de História do Teatro do curso de Artes Cênicas da Unesp desde 2023), a previsão que seria para o início desse ano teve que ser adiada um pouquinho. Mas espero que em breve eu consiga finalizar a edição para publicar meu segundo livro”, concluiu.

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