Por Clovis Vieira
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Alô, alô, caros ouvintes: dia 13 de fevereiro é o Dia do Rádio! O site da Agência Brasil afirma que “O rádio foi inventado e patenteado em 1896, pelo italiano Guglielmo Marconi. Esse é o consenso científico, mas há no Brasil quem o conteste. O padre brasileiro Roberto Landell de Moura teria feito a primeira transmissão radiotelegráfica dois anos antes, mas não há registros desse feito”.
A dona de casa Ruth Lameu Idelfonso, 48, é ouvinte assídua de, pelo menos, duas emissoras de rádio. “Eu ouço desde a minha adolescência e até hoje continuo ligada”, afirmou. Sua preferência são as emissoras que incluem o noticiário na grade diária de programação. “Até quando estou indo para o trabalho, escuto as notícias que estão sendo divulgadas”. Previsão do tempo, o preço dos alimentos ou do combustível e algumas notas políticas chamam a sua atenção. Neste momento, Ruth sintoniza a Nativa 94,9 de Poços de Caldas (MG) e, no rádio do carro, a 92 FM de São João.

SOBREVIVENDO
Meio de comunicação popular, o rádio vem sobrevivendo e se adaptando a uma série de supostas ameaças tecnológicas à sua existência, como já foi a TV e a internet. Até hoje, o veículo se mantém firme e confiável, alcançando as áreas mais remotas do País. Em um movimento inverso, foi a internet, que se adaptou e desenvolveu as web-rádios, muito populares nos mais diversos segmentos: grandes lojas e magazines, igrejas evangélicas, grupos sociais segmentados etc.
Segundos levantamentos da Real Networks, até o fim de outubro de 2020, existiam mais de 3.500 rádios online no mundo, quase 200 no Brasil. Dessas, cerca de 88% são versões para Internet de rádios convencionais AM, FM, ondas curtas, etc. A vizinha Poços de Caldas (MG) tem, pelo menos cinco web-rádios musicais. Algumas empresas anunciam na internet a oferta de web-rádios semi prontas, que já vêm com hora certa gravada (voz masculina ou feminina), programas inteiros com locutores e música, discoteca gratuita com milhares de títulos, entre outros atrativos.
PIONEIRAS
A primeira emissora do Brasil e mais antiga em operação ininterrupta é a Rádio MEC, criada em 1923 por Roquette-Pinto e Henrique Morize. Em 1936 nasceu a Rádio Nacional, que enviava suas ondas do Rio de Janeiro (RJ) para o resto do País. Desde esse tempo o rádio significou o veículo perfeito para o lançamento de cantores e cantoras em todas as partes do mundo. Foi, e ainda é, a voz que conta como anda o mundo e seus personagens.
Mogi das Cruzes (SP) foi uma das primeiras cidades brasileiras a possuir estação de rádio. Em São Paulo, o rádio nasceu em 1925 e em 28 de janeiro de 1928 inaugurava-se a Rádio Clube de Mogi das Cruzes. É considerada umas das primeiras emissoras brasileiras cujas transmissões eram ouvidas em outros estados. A rádio mogiana foi ao ar meses antes do nascimento da Rádio Record de São Paulo, uma das mais antigas do Brasil.
Em São João da Boa Vista, a primeira emissora foi a Rádio Difusora AM, transformada em Rádio Piratininga AM no início dos anos 1980. Está completando 77 anos de funcionamento. Em seguida, entrou no ar a Rádio Mirante FM (dia 8 de setembro de 1981), hoje denominada 92 FM. E, finalmente, a Rádio Jovem Pan, inaugurada na cidade em 1996.
HISTÓRIAS
“O rádio era muito importante na vida das pessoas, nas décadas passadas”, apontou a acadêmica Clineida Junqueira Jacomini. Ela se lembra de que, em São João, um dos primeiros — senão o único — a ter um aparelho de rádio foi Teófanes Vilela, marido da professora Emília Ferreira, que lecionou na Escola Estadual Coronel Joaquim José. “Ele morava na rua General Carneiro, hoje Clínica Veterinária do Plínio Aiub; era dentista. As pessoas poderiam até ‘entrar’ no rádio, tão grande era o aparelho”, contou.
Na fazenda onde reside, Clineida mantém como um ‘tesouro’ um antigo aparelho de rádio “que mede quase um metro de altura e ficava no corredor da cozinha”, se diverte contando. Ela se lembra de sua infância nos anos 1940 “no colo de minha mãe, ouvindo (e chorando) a radionovela ‘O Direito de Nascer’, com o personagem Albertinho Limonta e sua mãe freira. O mundo parava a essa hora da noite”.
CASAMENTO
O rádio também tem sido o cenário perfeito para a união de pessoas com essa mesma paixão. A jornalista Telma Salles conheceu o marido, Renato Corulli, na Rádio PRF PRF 8, emissora de Botucatu, em 1984. “Eu acabara de me formar em jornalismo na capital paulistana e tomei o rumo contrário: comecei minha carreira no interior e numa rádio AM. Renato, desde criança, convivia ‘na rádio’, primeiro separando discos de vinil, depois saindo em reportagens que iram de policiais até festas populares”, relembrou.
Vindo para São João, Telma trabalhou sete anos na Piratininga AM. Renato foi para Espírito Santo do Pinhal e trabalhou na Rádio Clube. “Nós nos casamos em 1990. Eu migrei pra TV em 1993. Ele foi para a TV Serra Azul, muitos anos depois”. A jornalista afirma que é impossível não recordar o dia em que, pelas suas pesquisas e investigações, ambos conseguiram reaproximar mãe e filha separadas há 40 anos.
Rádio: seja num simples trajeto de carro, seja na lida do dia a dia, mais cedo ou mais tarde, quem liga o rádio quer notícia, quer informação de confiança, quer entretenimento. Quer até saber quem morreu… “Viva o Rádio! Ele continua vivo, só que de roupa nova”, terminou Telma.




