Mulheres criam grupo de apoio às vítimas de violência doméstica

Por Ana Paula Fortes
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Muito ainda há de se fazer pelas mulheres que são vítimas de violência doméstica no Brasil. As leis estão sendo renovadas, modificadas, num esforço mútuo para que essas mulheres consigam sair do ciclo da violência e tenham coragem de denunciar seus agressores, porém, o auxílio que elas necessitam não se resume apenas à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). É preciso que essas mulheres conheçam seus direitos legais para que entendam quando estão sendo lesadas patrimonialmente ou psicologicamente. É necessário um local que às abrigue quando necessitem, emergencialmente, sair de suas casas. Além disso, é de extrema importância que haja capacitação profissional para que consigam se sustentar e não continuem dependentes do companheiro agressor. E não menos importante a terapia para que permaneçam fora do ciclo de violência e acreditem em seu potencial.

Grupo: ‘Com Elas’ tem dez meses de existência e atende aproximadamente 40 mulheres na nova sede (Divulgação/Com Elas)

Foi com o intuito, de promover auxilio jurídico, psicológico, profissional e social que algumas mulheres de São João da Boa Vista se reuniram e criaram o Grupo Terapêutico “Com Elas”.

“Numa conversa entre amigas descobrimos que tínhamos o mesmo sonho: dedicar nosso tempo no auxílio ao próximo. Como somos mulheres pensamos logo que nosso público atendido seria mulheres, todas elas, mas prioritariamente as que sofrem violência”, explicou Irene Simioni, idealizadora do Grupo.

Nesses 10 meses de existência, o “Com Elas” passou por diversas sedes, todas emprestadas por outros projetos ou até mesmo pelo poder público, porém os horários e dias de uso eram limitados. “Até que um empresário da cidade, de um coração enorme, se propôs a pagar o aluguel de uma sede que fosse apenas nossa. Hoje conseguimos ter diversas atividades, em horários variados graças a ele”.

O “Com Elas” atende hoje 40 mulheres e oferece acolhimento, terapia em grupo, pilates, consultoria com advogados, entre outros auxílios. “Já temos algumas parcerias, por exemplo, com o curso de Direito e de Psicologia da Unifeob. Temos algumas profissionais que fazem atendimento voluntário aqui conosco. Mas precisamos de mais voluntários para ampliar nosso Programa, afinal não recebemos nenhum incentivo do Poder Público. Dependemos do esforço de cada um”, explicou.

Ao contrário do que grande parte da sociedade ainda acredita, a violência contra a mulher não se resume ao abuso físico. Também são criminalizadas as violências psicológica, moral, sexual e patrimonial. Segundo o Instituto Datafolha, a cada hora 503 mulheres são vítimas de um desses tipos de violência. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que 70% dessas vítimas sofreram violência doméstica.

“Muitas pessoas pensam que esse não é um problema delas, mas é sim, é um problema que todos devem estar envolvidos. A mulher que sofre violência tem uma série de prejuízos na sua saúde física e psicológica, comprometendo suas funções pessoais, profissionais e sociais”, afirmou Irene.

Na última quarta-feira, dia 31, o Grupo Terapêutico Com Elas realizou uma Assembleia Geral para a constituição da Associação. “Depois de 10 meses atuando consistentemente ‘nascemos legalmente’. Isso é muito bom porque nos dá condições de maior legitimidade, espaço e voz, permitindo que possamos legalmente pleitear recursos e parcerias necessárias para realizar as ações que desejamos”, explicou Cristina Novais, voluntária da Associação.

A diretoria da Associação está composta da seguinte forma: Irene Simioni, como presidente; Fanny de Aquino como vice; Luiza Helena de Oliveira, 1ª tesoureira; Ana Lucia Idalgo, 2ª tesoureira; Cristina Novais, 1ª secretária e Patrícia Tristão 2ª secretária.

“A grande questão quando nos colocamos à serviço da comunidade, e do outro, com uma ideia nobre, é que é preciso existir legalmente para viabilizar os recursos materiais necessários para estruturar o projeto”, afirmou Cristina.

A Associação está localizada na rua Capitão Bronze, nº 11, Centro, e atende de segunda à quinta-feira, das 13h30 às 17 horas ou pelo telefone (19) 99303-4575.

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