Por Ana Paula Fortes
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Dando continuidade à série de reportagens sobre doenças autoimunes, causadas pelo ataque do sistema imunológico aos seus próprios tecidos e órgãos, nesta edição será abordada uma das doenças mais graves: o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que atinge cerca de 65 mil pessoas no Brasil.

LÚPUS
O Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune. Estudos afirmam que ela pode ter contribuições tanto genéticas quanto ambientais. “No caso do LES, essa resposta autoimune pode afetar uma variedade de órgãos e sistemas no corpo, variando de pessoa para pessoa a maneira como ela irá se desenvolver”, explicou o reumatologista, Paulo Chicarone Pereira.
Um estudo realizado pela Universidade Nacional Australiana concluiu que certos genes podem estar associados a um maior risco de desenvolver a doença. “No entanto, ter uma predisposição genética não significa automaticamente que alguém desenvolverá o LES, ou seja, a doença não é herdada de pais para filhos de forma direta e previsível. Fatores ambientais, como exposição ao sol, infecções virais, certos medicamentos e hormônios, também desempenham um papel importante em indivíduos geneticamente predispostos”, afirmou Chicarone.
SINTOMAS
Os sintomas do Lúpus variam de acordo com o órgão acometido. Se for cutânea, que é limitada à pele, poderão ser observadas manchas habitualmente avermelhadas e indolores, predominantemente em áreas de exposição ao sol. Porém, a doença pode ser sistêmica, atingindo várias regiões do organismo, como: vasos sanguíneos, articulações, rins, cérebro, coração e pulmões. “Os sintomas são muito individualizados e nem todas as pessoas têm ou terão acometimento em todas as regiões. Porém, é importante ficar atento à cansaço, desânimo, febre baixa, emagrecimento, palidez e perda de apetite. Quanto mais precoce o tratamento, maiores as chances de se atingir a remissão clínica da doença”, assegurou.
TRATAMENTO
“Estudos promissores estão sendo realizados envolvendo células CAR-T, além de novos alvos terapêuticos, pois existem necessidades ainda não atendidas na jornada do tratamento das pessoas com lúpus”, explicou.
Medicamentos Imunossupressores, corticosteroides, e terapias imunobiológicas são os mais utilizados no tratamento de pacientes com Lúpus e representam um grande avanço em sua qualidade de vida. Mas é importante destacar que um acompanhamento multidisciplinar e uma rede familiar de apoio são fundamentais para o tratamento.
PREVENÇÃO
Devido ao desconhecimento da causa da doença, não há um meio específico para prevenir de forma definitiva o Lúpus. Porém, segundo Chicarone, existem algumas estratégias que podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a doença. “Os portadores de lúpus apresentam uma hipersensibilidade à luz ultravioleta (UV), que pode levar a danos celulares, desencadeando uma resposta autoimune. Dessa forma evitar exposição solar excessiva, fazer uso de protetor solar e roupas protetoras, são maneiras de minimizar o impacto dos sintomas”.
Além disso, infecções não tratadas adequadamente, também poderão desencadear o LES, tornando de extrema importância que as infecções sejam evitadas ou tratadas de maneira apropriada.
“Alguns medicamentos foram associados ao desencadeamento do LES em algumas pessoas. Se possível, é importante discutir com o médico a escolha de medicamentos, especialmente se houver histórico familiar da doença”, concluiu.
Outras estratégias que ajudam a auxiliar o funcionamento do sistema imunológico são os acompanhamentos médicos periódicos, com avaliação clínica e laboratorial, além de dieta equilibrada, exercícios regulares e cuidados com o sono.




