Por Marcelo Gregório
[email protected]
Sem abrir a boca, apenas assistindo ao interrogatório por meio de videoconferência, o acusado de matar a cachorra ‘Café’, o psicólogo Antonio Carlos Zogbi Perette, não compareceu ao Fórum de São João da Boa Vista na primeira audiência de instrução, realizada na segunda-feira (13). Ele teria alegado problemas de saúde e apresentou atestado médico, porém, não especificou o tipo da doença. A segunda audiência para que a Justiça ouça Perette foi agendada para o dia 12 de dezembro, às 15h30, no Fórum sanjoanense.

INTERROGATÓRIO
Na sala de audiências virtuais da Vara Criminal, além do psicólogo, estavam os três advogados de defesa e as três testemunhas do réu. Já presencialmente foram ouvidas cinco das seis testemunhas de acusação. O policial que fez o boletim de ocorrência no dia do crime se ausentou e deverá depor somente na segunda audiência.
A dona da cachorra ‘Café’, Filomena Tereza Tamarelli dos Santos Cecílio, prestou depoimento acerca do crime praticado em 30 de abril, no bairro Perpétuo Socorro. Responsável por conduzir a sessão, a juíza Elaní Cristina Mendes Marum ainda ouviu a declaração de uma mulher que trabalhava no posto de combustíveis onde Perette foi visto comprando etanol para, supostamente, provocar a morte da cadela.
MANIFESTO REDUZIDO
Na parte externa do Fórum, um pequeno grupo de manifestantes protestou silenciosamente com a exibição de cartazes com pedidos de justiça. “Queremos que esse criminoso fique preso. Chega de crueldade com os animais”, eram os dizeres de uma das faixas. A ativista Graciana Pirolla Rizzo Burkle, empenhada no caso desde o início, adiantou que continuará se dedicando para que a legislação seja cumprida. “Estávamos em poucas pessoas, [por ser uma] segunda-feira, neste horário, muitos não podem se ausentar do trabalho. Mas, parecia que éramos muitos com o sentimento sincero de estar lá pela ‘Café’”, descreveu Burkle.
DEFESA
Horas após a sessão, O MUNICIPIO tentou coletar depoimento dos advogados do psicólogo. A reportagem enviou questionamentos para a advogada Rosângela Gomes e abriu espaço para que ela e os demais defensores se posicionassem acerca do primeiro julgamento. Na manhã de quinta-feira (16), ela disse que a defesa mantém o mesmo posicionamento anterior.
Na edição do O MUNICIPIO de 11 de novembro, advogados de Perette, Rosângela Gomes e Marcelo Cavalcante, informaram: “Agradecemos o espaço dado à Defesa nesse momento. No entanto, como o processo ainda está em fase inicial de instrução probatória, restando oitiva de testemunhas e demais provas a serem produzidas, nos reservamos para manifestação ao final”.
O CRIME
A cachorra ‘Café’ foi morta no dia 30 de abril. O crime revoltou a cidade pela crueldade. Na ocasião, Perette teria usado uma escada e pulado o muro de sua residência e atacado o animal de estimação que ficava no quintal vizinho da Boutique Filomena Cecílio. Com as agressões, a cachorra teve fratura no maxilar e, na tentativa de escapar, entrou na casinha de plástico.
Em seguida, o psicólogo teria fechado a saída do abrigo e ateado fogo. A cadela conseguiu sair somente depois que a casinha havia derretido. Mesmo resgatada com vida, ela não resistiu e morreu dez horas depois em decorrência de queimaduras de segundo grau.
SEM TRÉGUA
Grupos de protetores de animais e ativistas esperam que o acusado esteja de forma presencial na segunda audiência, dia 11 de dezembro. “Acredito que ele não possa alegar outra doença e tenha que estar presencialmente no Fórum. Guardem a data, pois estaremos novamente onde for preciso clamando por justiça”, reforçou Graciana.




