Região registra 5,9 mil novos empregos em nove meses

Por Marcelo Gregório
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Seis municípios da região fecharam, juntos, 180 postos de trabalho em setembro. Este é o saldo das demissões em São João da Boa Vista, Mococa, São José do Rio Pardo, Espírito Santo do Pinhal, Vargem Grande do Sul e Casa Branca, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Embora negativos, os números de setembro do ano passado são 59,6% maiores, quando houve 446 demissões na região.

Agronegócio: números negativos de setembro nas seis cidades foram puxados pelo setor (Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil)

Na parcial do ano, contudo, o número ainda é positivo nestas seis cidades, que geraram 5.932 empregos de janeiro a setembro. Os números do Caged consideram os trabalhadores com carteira assinada, sem a inserção dos informais.

De acordo com o vice-diretor da regional de São João da Boa Vista do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Adriano Fontão Alvarez, o cenário não é dos melhores. “A situação revela a falta de recursos para financiamento e taxas de juros ainda muito altas. Temos visto o Governo tentando fazer algum movimento para reduzir essas taxas, mas o problema está linkado em um âmbito maior onde os bancos estão ficando receosos de emprestar. E o ônus fica para a iniciativa privada que, sem opções de bons financiamentos, evita fazer novos investimentos”, afirmou.

DEMISSÕES NO AGRO

Os dados do Caged referentes a essas seis cidades da região mostram que os números negativos de setembro foram puxados pelo agronegócio, onde houve mais demissões, até na contramão do mês anterior, quando o setor foi o que mais contratou, elevando a geração de empregos em agosto. “A taxa de juros média está na casa dos 17%, ou seja, é muito difícil para o agronegócio assumir uma taxa assim. Além disso, o volume de recursos necessários para o setor, considerando o ciclo agrícola anual, não tem sido suficiente. No Plano Safra vimos uma queda de 15% de faturamento no setor de máquinas agrícolas, o que demonstra essa dificuldade de acesso ao crédito e explica as demissões no setor”, comentou Alvarez.

O Plano Safra é um programa do Governo Federal criado para apoiar o setor agropecuário, oferecendo linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas para os produtores rurais, desde os agricultores familiares até os mega produtores. “Nossa expectativa é que o governo reveja os valores desses planos e as taxas de juros, porque sem esse financiamento e sem a movimentação de capital, fica difícil para produtores, empresas ou investidores terem apetite ao risco”, finalizou.

OPORTUNIDADE

No sentido oposto das demissões, a empresária Nathalia Silvestre Medeiros decidiu, recentemente, aumentar o quadro de funcionárias na loja “Love Brands São João”, situada à rua Getúlio Vargas, região central. “Nós trabalhamos em três. Eu e mais duas funcionárias, vendedoras. Essa nova funcionária foi contratada no formato CLT [Consolidação das Leis de Trabalho]. Muito além de gerar emprego, o nosso compromisso é ensinar e dar a primeira oportunidade”, garantiu Medeiros.

CIDADES DA REGIÃO

São José do Rio Pardo foi a cidade que mais demitiu em setembro, fechando 190 postos de trabalho. Em seguida vem São João da Boa Vista com 138 demissões. Esta foi a primeira vez no ano em que essas duas cidades tiveram números negativos na geração de emprego, puxados pelo agronegócio.

Vargem Grande do Sul, a terceira cidade da região com índice negativo em setembro, teve redução de 32 postos de trabalho. O cenário repete a baixa de empregos ocorrida em junho, quando houve 51 demissões.

Espírito Santo do Pinhal, Mococa e Casa Branca tiveram índices positivos, com a geração de 101, 59 e 20 postos de trabalho, respectivamente. Em Pinhal, este foi o terceiro melhor mês do ano, puxado pela indústria e pelo comércio, perdendo apenas para maio e junho, quando houve a abertura de 115 e 112 postos de trabalho.

E em Mococa e Casa Branca, os números foram positivos, mas ainda assim, representam um recuo de 74,2% e 78%, respectivamente. Em Mococa, o índice foi puxado pelo setor industrial, já em Casa Branca, pelo setor de Serviços.

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