Por Clovis Vieira
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Outubro é o mês da criança e o dia 12 é a data comemorativa celebrada anualmente no Brasil, em homenagem a elas. Interessante ressaltar que a infância nem sempre recebeu tanta importância quanto hoje. “Ser criança no século 21, significa ter uma série de direitos como educação, saúde, nutrição e o fundamental direito à vida”, aponta o site primeiros1000dias.com.br.

No entanto, continua o portal, séculos antes, durante a Idade Média, a criança não recebia o mesmo tratamento. As taxas de mortalidade após o nascimento eram altíssimas pela falta de preparo para lidar com o parto e os primeiros cuidados. Assim, era comum que as famílias pouco se apegassem aos recém-nascidos, que poderia sobreviver poucos meses. Além disso, a criança era encarada como um membro da família que deveria ajudar nas tarefas, tanto quanto os mais velhos.
BRINCAR
Ainda durante o século 19, o menor de idade poderia enfrentar longas jornadas de trabalho e muitas vezes não frequentava a escola. Durante a história antiga, a criança era submetida à autoridade do pai. Na educação grega e romana, a família era a responsável por educar os pequenos, considerados inoperantes e incapazes de ter qualquer autonomia.
“Entendo que criança é criança, em qualquer época histórica e em qualquer lugar. Antes vista e vestida como um mini adulto, hoje a criança é desenvolvida e bastante estimulada cognitivamente, o que faz com que ela seja muito criativa também. Mas é preciso ter tempo para brincar!”, alertou a psicóloga infantil e arte terapeuta junguiana Fabiana Moneda. De acordo com ela, a família tem papel fundamental no desenvolvimento da criança. “Costumo dizer que o ambiente não determina, porém, influencia”.
Em seu dia a dia profissional, Fabiana percebe que os pais se preocupam em ‘fazer o certo’, pois querem sempre que os filhos sejam felizes. “Mas isso em demasia, pode gerar uma demanda de ansiedade tanto para a criança quanto para os pais. Se pudesse em poucas palavras, diria para ambos, pais e crianças, brinquem…”, aconselhou.
DIFERENÇAS
Para a secretária Vivian Vieira Valim, 35, mãe de Lucca (9 anos) e de Vitor (2 anos), o período infantil está bastante diferente do seu próprio tempo de criança e que teria piorado: “Eu tive aquela infância de subir em árvores, de ficar até mais tarde na casa de amigos, de andar descalça pela rua… E eu sinto que os meus filhos não terão esse tipo de infância”.
Com relação ao convívio familiar, ela se lembra de que “respeitava os pais por medo, eles falavam a gente abaixava a cabeça e obedecia”. Hoje, seu filho mais velho entra em diálogo com ela e argumenta quando nem tudo está a favor dele. “Eu penso que houve um ‘aprendizado’, com as crianças observando o nosso comportamento com outros adultos”. Ela e o marido têm o seu trabalho fora de casa, fato que pode influenciar, segundo sua percepção: “Se eu pudesse ficar com eles em casa, seria melhor, porque eu sinto que eles têm mais contato com terceiros nessa fase, do que comigo e meu marido”, encerrou.




