São João tem ruas sem nenhuma árvore plantada

Por Clovis Vieira
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Poucas pessoas percebem, mas São João da Boa Vista tem inúmeras ruas sem árvores. Entre elas, destacam-se a Saldanha Marinho e a Ademar de Barros, vias consideradas de preocupação por conta da formação de bolsões de calor. A redução do número de árvores e de áreas verdes, que muitas vezes dão lugar a prédios, ruas e avenidas, comprometem a capacidade natural de redução de calor e de materiais tóxicos no ambiente, afirmam especialistas. O resultado é a piora na qualidade de vida dos habitantes.

Saldanha Marinho: não há árvores em toda a extensão da via; apenas duas palmeiras na primeira quadra (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

Percorrendo toda a extensão da rua Saldanha Marinho, a reportagem constatou que ali há apenas uma pequena árvore plantada. Segundo informações apuradas junto ao Departamento Municipal de Gestão e Planejamento Urbano, tal via estende-se por 613 metros, desde a rua Tiradentes até a praça Governador Armando de Salles Oliveira (praça da Catedral São João Batista). É mais de meio quilômetro de extensão com residências, escritórios e comércios diversificados sem sombreamento natural.

Igual problema enfrenta quem reside, tem comércio ou transita pela rua Ademar de Barros. Com 721 metros de extensão, pode ser considerada um ‘prolongamento’ da Saldanha Marinho, separadas apenas pela parte inferior da praça da catedral. A via termina na rua São Lucas, que dá acesso ao Santuário Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Nela, não tem sequer uma árvore plantada. Proprietários de veículos não contam com sombreamento natural para estacionar em ambas as vias.

SOMBREAMENTO

“Meus clientes iriam se sentir mais confortáveis em deixar seus carros estacionados em frente meu salão de beleza, quando tem sol aberto e faz muito calor”, disse Ana Beatriz Dríngoli. O comércio  dela situa-se, justamente, defronte a única árvore da rua Saldanha: “É uma verdadeira disputa, entre os motociclistas, para estacionar na pequena sombra que essa árvore produz; eu mesma tenho dificuldade para encontrar um espaço ali”. Na ocasião da entrevista, havia 5 motos no local e poucas delas sob a sombra.

Justificando a falta de árvores na Saldanha, são muitas as histórias que os moradores contam. “Eu sempre ouvi dizer que não poderia plantar árvores aqui na rua Saldanha, porque é uma rua comercial”, lembrou uma moradora do local, com 60 anos, e que prefere o anonimato. Perto da residência dela há apenas duas palmeiras que ornamentam um escritório comercial. “Mas essas duas não são árvores que dão sombra, não é?!”

Outro morador dispara: “Ah, por aqui não tem árvores! Eu gostaria muito que tivesse, para ter sombra; pelo menos duas árvores em cada quarteirão, já seria bom”, apontou Odair Bertolucci, 70, morador da Saldanha desde o nascimento. Ele revela nunca ter visto árvores plantadas nessa rua. E sabe que a presença de árvores, se possível as mais frondosas, “ajuda muito a resfriar o ambiente”.  Bertolucci diz que já pensou em plantar árvores defronte à casa onde reside, “mas a gente não sabe se pode e se a Prefeitura autoriza”.

ÁREAS VERDES

O Instituto ‘Planeta Plantar’ aponta que o art. 225, § 1º da Constituição Federal, estabelece que o Poder Público tem o dever de zelar pela proteção do meio ambiente. “Nesse sentido, todas as instituições do Poder Público em todos os níveis de poder, como Prefeitura Municipal, Conselho Municipal do Meio Ambiente, Polícia Ambiental, Ministério Público, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ibama etc, têm a obrigação institucional de proteger o patrimônio ambiental que representam as áreas verdes localizadas nos imóveis de uso comum da população existentes nas cidades, tanto na zona urbana quanto na zona rural”, afirmou o fundador do Instituto, professor Marcos Parolim.

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