Por Clovis Vieira
[email protected]
É comum Luís Cássio Campos, 58, encontrar pelas ruas fãs de quando era goleiro do time de futsal Reio Futebol e Samba. Ao vê-lo, pais de família querem para fotografá-lo junto com os filhos, explicando quem é aquela pessoa. Foram 10 anos defendendo aquela equipe amadora, uma atividade que começou quando Campos tinha 15 anos.

Porém, o tempo passou e chegou o momento de ‘pendurar as chuteiras’. “Mas eu não me distanciei do esporte: sempre fui chamado para ajudar a montar times na cidade, atendendo convites de prefeitos, diretores de esporte e alguns empresários”. O aprendizado nesse tempo foi grande: humildade, sentido de equipe, saber ganhar e saber perder e perceber o momento certo de parar.
FAMÍLIA
Hoje, é representante de uma grande companhia de fios e cabos da cidade e administra a própria empresa, no mesmo ramo. “Eu me desliguei de um emprego anterior em 1980, fui trabalhar nessa companhia e agora sou cliente deles”. As lições trazidas do esporte e, principalmente, da criação familiar, o fazem tratar igual todo tipo de cliente. “Eu não faço diferença entre o consumidor final, que vem até aqui comprar 10 metros de fio, e os grandes consumidores”, disse.
Da própria formação familiar, afirma que a honestidade aprendida ali chegou para ficar. “É um valor que vai prevalecer para sempre, junto com muito trabalho”. Cássio casou-se aos 17 anos com Aida (“muita gente me falava que esse casamento não duraria 3 meses… hahaha”), 40 anos depois ele se orgulha dos dois filhos que tem, Gustavo e Lívia, e dos quatro netos que fazem a alegria do casal.
VAN DO NOEL
Durante muito tempo, o casal participou de campanhas em prol de inúmeras entidades assistenciais no município. “Teve um tempo, em que nós agilizávamos quatro vans carregada de presentes de Natal; era a ‘Van do Noel’, que marcou época aqui na cidade”. Acompanhados de um grande grupo de participantes, todos vestidos de Papai Noel, e quatro veículos carregados de cestas básicas, panetones, refrigerantes e presentes diversos, Aida e Cássio percorriam as ruas de muitos bairros, surpreendendo as pessoas.
“Foram oito anos realizando sonhos aqui em São João. Eu nem imagino quantas pessoas foram tocadas por esse trabalho nosso, na véspera de muitos natais”. As vans começavam a entrega na zona rural, onde pouca gente ia para realizar esse carinho – Bairro do Óleo, do Macuco, em muitas fazendas – e percorriam bairros mais carentes. “Eu achei que valeu a pena, viu. Eu sei que, depois desse trabalho, muita gente deu continuidade com propostas parecidas”, contou.
Com o crescimento dos filhos, as vans do Noel pararam de rodar. “Quem sabe agora, com os netos, quem sabe a gente comece de novo, eles serão a nossa grande motivação, como foram os filhos naquele tempo”, finalizou.




