Ângela Bonfante tem escultura no centro da cidade

Por Clovis Vieira
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Quem a conhece faz pouco tempo, vai pensar que Ângela Regina Bonfante Cabrelon da Silva, 67, atravessou a vida ligada apenas à pintura, à escultura e à promoção das artes em geral. “Logo depois do colegial, prestei concurso para ingressar no Banco do Brasil, entrei e segui minha carreira. Trabalhei ali por 25 anos e foi onde encontrei o meu marido, que também era bancário; nós vivemos de Banco do Brasil por um bom tempo”, disse em meio a uma risada.

Porém, a arte entrou na vida dela desde a infância, através da mãe que sempre a incentivou a desenhar e mostrando a ela como ‘enxergar’ um quadro. E fazia isso com aqueles calendários do ano, as ‘folhinhas’, que traziam reproduções de obras de Van Gogh, de Renoir, entre outros pintores. “E não somente a pintura, mas também a literatura, que era a ‘praia’ dela: minha mãe era uma poeta e gostava muito de música”.

ATELIER

O amor pelas artes plásticas e a música erudita foi despertado no período do ginasial, com professoras como Olga Cagnado, Maísa Barcellos, Glorinha Aguiar, “pessoas que incentivaram muito a arte na vida da gente”. Toda essa bagagem, embora ainda incompleta para considera-la uma artista, contrastava com a vida bancária que já praticava, “uma profissão muito árida, sem criatividade; daí, em paralelo a isso, fui buscando cursos de pintura… eu nunca deixei de pintar e de buscar conhecimentos nessa área”.

Considerando que poderia ser muito mais feliz promovendo a arte, Ângela inaugura o próprio atelier em 2009. Ali, abriga exposições muito diversificadas de outros artistas, entrando num período intenso de atividades artísticas e culturais. “É um pequeno espaço expositivo, onde eu sempre tive o auxílio da Sílvia Borges como curadora, pesquisadora e com a sensibilidade capaz de descobrir talentos em outras pessoas. No atelier, nós temos um histórico muito grande de exposições”.

ESCULTURA

Quando ainda bancária, a artista produzia muitos trabalhos e participava de concursos bienais de todo o País. “Em 2007, eu levei um desenho para uma bienal do Recôncavo e ganhei um prêmio!”, relembrou feliz. Como grande vencedora da VIII Bienal do Recôncavo, em São Félix (BA), com a obra ‘A Paixão é Humana’, Ângela ganha um estágio de dois meses na Suíça. Naquele país participa de cursos e oficinas de escultura em bronze. “Eu passei um tempo na Suíça, aprendendo a linguagem da escultura, da pintura, da gravura e de desenho”, contou.

Caiu de amores pela escultura e pela técnica da modelagem, que é diferente de esculpir, quando se retira do mármore, por exemplo, o que ‘está sobrando’, até chegar na forma definitiva. A cidade tem, na praça Governador Armando de Salles Oliveira, uma escultura nesse estilo. “É uma escultura que ‘incomoda’, assim como deve ser a Arte. Ela foi feita para o espectador fazer uma reflexão de si”. A escultura não tem braços, que é a ferramenta do fazer, porque retrata o tempo atual, no qual não atuamos no mundo como desejamos, explicou.

Mas tem asas, porque o homem necessita da liberdade “e a asa é o símbolo da liberdade”, destacou. Por isso, aquela escultura, que causa estranhamento em tanta gente, ganhou o nome de Espírito Livre. “O homem precisa saber que o seu espirito é livre”, finalizou.

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