Cápsulas do Tempo levam o passado ao futuro

Por Clovis Vieira
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No dia 24 de fevereiro de 1957, durante a solenidade de lançamento da Pedra Fundamental do templo da Loja Maçônica ‘Presidente Roosevelt’, foi encerrada em uma câmara de concreto, no centro da construção, uma ‘Capsula do Tempo’. O cilindro de cobre, de 50 centímetros de comprimento por 15 cm de diâmetro, hermeticamente fechado, foi depositado pelo então prefeito de São João, o também maçom Miguel Jorge Nicolau. Por ocasião de reformas no templo, no ano de 2019, a cápsula foi resgatada.

2070: conteúdo da nova cápsula do tempo da Loja Maçônica, a ser aberta daqui a 47 anos (Arquivo/Loja Maçônica ‘Presidente Roosevelt’)

Fotografias, cédulas de dinheiro, moedas, alguns objetos, cartas e documentos diversos estavam no interior da cápsula. “Entre tantos itens importantes, nos chamou a atenção uma carta escrita pela professora Maria Leonor Alvarez e Silva”, revelou Agnaldo Manochio. Ele também foi o responsável pela organização de um pequeno museu, instalado em vitrines no salão de festas, onde repousa a cápsula e outros itens caros aos integrantes da Loja Maçônica.

Atualmente, uma nova cápsula do tempo espera pela chegada do ano 2070, quando poderá ser aberta. Ela está instalada em uma câmara, na parede do pequeno museu, também no salão de festas, e é feita de aço inoxidável. “Esta nova cápsula foi depositada em sua câmara em dezembro de 2019 e contém grande variedade de itens como: cópia da ata de instalação da cápsula, cartas pessoais às novas gerações, publicações maçônicas e profanas”, disse Manochio.

Além disso, abriga ainda fotos com os membros da loja, bem como membros das paramaçônicas mantidas pela loja (Meninas do Arco Íris e Estrelas do Oriente são exemplos), fotos do resgate da antiga cápsula, fotos e documentos referentes aos 70 anos da loja ‘Presidente Roosevelt’, mídias atuais como CD, DVD e pen-drive com conteúdos diversos. A entidade foi fundada em 20 de junho de 1949.

AS OUTRAS

“Também conhecidas como ‘pedras fundamentais’, as cápsulas do tempo eram costume na cidade desde 1859”, registram diversas reportagem do O MUNICIPIO, em edições anteriores. O objetivo principal era marcar inaugurações de construções, de prédios públicos e até de algumas igrejas. Eram enterradas na fachada direita desses locais. No início, eram apenas rochas com a gravação de mensagens; depois, vieram caixas de concreto ou tubos de cobre envoltos em chumbo.

1957: Miguel Jorge Nicolau enterra a cápsula do tempo

Alguns locais que ainda abrigam cápsulas do tempo no município são: prédio atual do Senac, que foi construído em 1887; estação ferroviária (1929); Catedral de São João Batista (1889); igreja de São Lázaro (1927); Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (1941); igreja de São Benedito (1928); Asilo São Vicente de Paulo, atual Lar Vicente de Paulo (1899); Colégio Santo André, atual UniFAE (1941); Cristo Redentor (1943) e praça Gov. Armando de Salles Oliveira (1941).

Na parte antiga da Santa Casa de Misericórdia ‘Dona Carolina Malheiros’, construída em 1899 e demolida para reformas, há uma pedra fundamental. No entanto, devido à movimentação de terra, ninguém sabe exatamente o local em que ela possa estar. Nem o conteúdo. Em dezembro de 2021, a Prefeitura construiu um cruzeiro no circuito do ‘Caminho da Fé’, na Serra da Paulista. Durante a construção, foi instalada uma cápsula do tempo para ser aberta em 2071: objetos, documentos, fotos, pen-drives com músicas e vídeos da época atual estão no interior.

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