Por Clovis Vieira
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Em 2017, depois de realizar trabalho musical na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Aguaí (SP), Carlos Henrique Toni, 42, vislumbrou a possibilidade concreta de criar uma orquestra composta exclusivamente por Pessoas com Deficiência (PCDs). Surgiu, então, a Orquestra Brasileira Inclusiva (OBI).
Na ocasião, já era versado em violão, piano, arranjo, pós-graduação em trilha sonora e musicoterapia. Toni, como é reconhecido, cursou o Conservatório Souza Lima, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Faculdade Censupeg “com aulas presenciais e com bastante relevância no âmbito da musicoterapia, área que esta faculdade é pioneira”, informou.

TALENTO
Desde 2002, o trabalho dele concentra-se em torno da música, com destaque para projetos sociais: Escola da Família, que era um programa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aos fins de semana, onde começou como voluntário; depois aulas de violão no Departamento Municipal de Cultura; daí a Apae de Aguaí. Em 2017, concentrou-se na OBI, criada a partir da interação e diálogos com um dos seus professores de música no Conservatório Souza Lima, Michel Leme.
Quando estudava no Serviço Social da Indústria (Sesi), aos 9 anos, já participava da fanfarra daquela escola, atividade que o levou a estudar piano: “Eu ainda não sabia que seria músico profissional”, revelou. Antes da OBI, ainda em Aguaí, Toni montou uma pequena fanfarra e uma banda de rock. “Foi quando eu percebi que poderia extrair um pouco mais daqueles alunos especisais e, quem sabe, propor forma nova de arte”.
PIONEIRA
Para gerir essa nova orquestra e fazer a direção musical, Toni precisou mergulhar em novos estudos: “cada pessoa tem a sua musicalidade e para eu acessar esse talento precisei estudar Neurociência, Musicoterapia, Reabilitação cerebral através da música, estimulação cognitiva, musicalização e Harmonia Musical”. E confirma que é necessária uma dose mais generosa de paciência, para esperar a resposta de aprendizagem dos integrantes da OBI. “Novos conteúdos, por exemplo, exigem um tempo em torno de oito meses a um ano para melhor assimilação”.
Historicamente, a OBI é o primeiro exemplo de orquestra nesses moldes. “Nas minhas pesquisas, eu encontrei somente a Orquestra Parassinfônica de São Paulo (Opesp), fundada em 2022”. Pioneirismo que já foi diversas vezes ‘premiado’: gravação ao vivo de um DVD, no palco do Theatro Municipal no ano passado, dezenas de apresentações na cidade e na região, participação na 45ª Semana Guiomar Novaes (2022) e mais um convite para este ano nesta semana de arte. “Eu percebi que a magia é esta – deixar os alunos se expressarem como eles são”, finalizou.




