Mortes de Foguinho e Paloma completam dez anos sem solução

Por Marcelo Gregório
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As mortes do treinador José Carlos Chessa Luis, o Foguinho do Reio, e da atleta Paloma Heloísa dos Reis, completaram 10 anos. Eles morreram em julho de 2013, após gravíssimo acidente de trânsito provocado pelos empresários Paulo Eduardo Bittencourt Noronha e André Toniza Sanchez. Desde então, o julgamento já foi adiado quatro vezes e segue sem data marcada. Noronha e Sanchez respondem em liberdade.

A última audiência estava marcada para 17 de maio, no Tribunal de Mogi Guaçu (SP), mas foi adiada por causa da morte do perito-assistente. Com isso, a defesa utilizou o argumento de que só teria tomado conhecimento no dia anterior à data do julgamento. Com este apontamento, o juiz deu aos advogados a oportunidade de manifestação no prazo de cinco dias para pautar um novo perito-assistente, no entanto, os trabalhos foram adiados e aguardam novo dia.

Sem decisão: caso ‘Foguinho’ completou 10 anos no dia 13 de julho de 2023 (Arquivo/O MUNICIPIO)

Mudança de Tribunal

O advogado Gustavo Massari, representante das famílias das vítimas, disse que a defesa dos acusados entrou com um novo pedido de desaforamento para tirar o processo de Mogi Guaçu, sob o argumento de que a imprensa regional estaria pressionando o caso e o julgamento não seria justo. “O Tribunal ainda está apreciando esse pedido de mudar de Mogi Guaçu. Ainda vamos ter a decisão, mas é muito provável que isso aconteça. Que vá para outras cidades: Campinas, São Paulo, talvez. Mas ainda não tem essa decisão”, explicou.

Sem data para a audiência

O julgamento foi reagendado quatro vezes. Em 2020, a Justiça adiou por conta da pandemia, transferindo para 14 de março de 2023. Todavia, na referida data, a defesa dos empresários não compareceu e o júri foi remarcado para 19 de abril. Nesse dia, uma das juradas passou mal e os trabalhos foram programados para 17 de maio, sem solução.

Defesa dos réus

A reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com a Bialski Advogados Associados que representa os réus. “A defesa de André Tonizza Sanches e Paulo Eduardo Bittencourt Noronha esclarece que questões de força maior e processuais adiaram o julgamento do caso e, agora se aguarda o julgamento do pedido de desaforamento pendente de julgamento, perante o Tribunal de Justiça para designação de Comarca para realização do Júri. Salienta, ademais, que ambos confiam no julgamento pelo Poder Judiciário, mas não aceitarão acusações levianas e inverídicas, alertando-se que os autores dessas propagações serão responsabilizados, cível e criminalmente”, concluiu a nota assinada pelo advogado Daniel Leon Bialski.

Longevidade

Massari afirmou desconhecer outro caso que tenha se estendido por uma década em São João. Segundo ele, mesmo que o julgamento aconteça, a decisão deverá se arrastar por mais tempo em razão dos pedidos dos recursos. “Não quer dizer que com o julgamento no plenário isso acaba. Não, porque com o plenário do júri ainda se inicia uma nova fase que são os recursos, que podem demorar sabe-se lá mais quantos anos. Então, para eventual cumprimento de pena em caso de condenação, ainda vão mais alguns anos de recurso para que eventualmente [eles] venham cumprir pena, caso sejam condenados”, esclareceu.

Como foi o acidente

O técnico de futsal Foguinho (63) e a atleta Paloma (20) morreram em 13 de julho de 2013, após o carro em que estavam ser atingido violentamente por uma caminhonete. A treinadora Cristiany Boratto também ocupava o veículo. Os três haviam acabado de sair do Recinto de Exposições ‘José Ruy de Lima Azevedo’, após show da dupla Munhoz e Mariano, durante a 40ª Eapic.

No retorno para casa, uma caminhonete que disputava um racha na pista bateu no carro por volta de 3h30, na rodovia SP-342, que liga São João da Boa Vista a Aguaí. Foguinho morreu na hora e Paloma foi a óbito 15 horas depois. Cristiany sofreu ferimentos leves.

Na época, Sanchez conduzia a caminhonete e, ao ultrapassar uma outra caminhonete, a cerca de 170 km/h, retornou à pista da direita e atingiu a traseira do Gol que era dirigido por Foguinho. O carro ficou completamente destruído. Os empresários foram presos na ocasião. De acordo com informações da Polícia Civil na época, eles vinham a uma velocidade 112% maior do que a permitida no local, apostando corrida na rodovia.

Sanchez e Noronha foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Serra Azul (SP), onde permaneceram seis meses presos. Após duas liminares de absolvição negadas, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) concedeu, em 23 de janeiro de 2014, habeas corpus aos empresários, que ficaram livres desde então.

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