‘Médico do Camaro’ é absolvido durante júri popular em Aguaí

Por Bruno Manson
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Na segunda-feira (17), após 12 horas de debates no plenário do Tribunal do Júri em Aguaí, o médico Leonardo Reno Romano foi absolvido dos crimes de duplo homicídio consumado e uma tentativa de homicídio. Ele ficou conhecido por ter se envolvido em um acidente que matou duas pessoas e deixou um ferido em outubro de 2013, na rodovia Dom Tomás Vaquero (SP-344), no trecho entre São João da Boa Vista a Aguaí.

Colisão: duas pessoas morreram e uma ficou ferida após Camaro atingir traseira de Gol (Reprodução/Agalmo Moro/Correio de Aguaí)

A defesa foi realizada pelos advogados criminalistas Marcelo Valdir Monteiro e Leandro de Lima Oliveira, os quais sustentaram que o réu não teve culpa e nem a intenção de causar a colisão. O Ministério Público pode recorrer da decisão. O júri foi presidido pelo juiz André Acayaba de Resende e contou com o promotor Allyson Fernando Venega Coradini como representante do MP.

DEFESA

De acordo com os defensores, comprovou-se nos autos que o acidente se deu por culpa exclusiva do motorista do Volkswagen Gol, já que estaria embriagado, sem condição motora de conduzir o carro e ingressou na pista da esquerda sem a devida cautela, causando assim a colisão entre os veículos. Segundo os advogados, o médico ainda procurou prestar imediato socorro às vítimas, fazendo massagem cardíaca e colocando colar cervical em uma delas, o que pode ter contribuído para que esta sobrevivesse.

Defesa: debates duraram 12 horas no plenário do Tribunal do Júri (Reprodução/Fala São João)

MORTES

O acidente ocorreu no dia 12 de outubro de 2013, por volta das 6h, no trecho da SP-344, que liga São João à Aguaí. Leonardo conduzia um Chevrolet Camaro e, segundo testemunhas, estava em alta velocidade. Na ocasião, ele bateu o carro contra a traseira de um Volkswagen Gol que estava ocupado por três pessoas. O funcionário público Edson dos Santos Marreiro Viana estava na direção do veículo e sofreu múltiplas faturas, sobrevivendo à colisão. Já a garçonete Ana Daiane Anversa, 24, morreu no local, enquanto que o chapeiro Ricardo Felipe Salvi, 20, foi socorrido com vida, mas não resistiu.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMR), o acidente ocorreu no momento em que o Gol fazia a ultrapassagem de um caminhão. O carro foi atingido na traseira pelo Camaro, sendo arrastado por um trecho até cair no canteiro central. Já o veículo do médico foi parar na pista em sentido contrário.

Durante o resgate das vítimas, Leonardo foi atendido e levado à Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, de onde desapareceu. De acordo com a Polícia Civil, havia indícios que o médico teria consumido bebida alcóolica, já que foram encontradas duas latas de cerveja no interior do Camaro e havia um forte odor etílico no veículo.

PRISÃO E SOLTURA

Leonardo foi considerado foragido até 2016, quando foi julgada uma medida cautelar de liberdade provisória sob fiança. Contudo, a liminar foi descumprida, levando à determinação de novo pedido de prisão preventiva. Em agosto deste ano, ele foi detido em Aparecida (SP). No início deste mês, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília (DF), acatou o pedido da defesa e mandou soltar o réu, pois entendeu que não houve proporcionalidade no decreto da prisão dele.

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