Famílias reivindicam que mortes de bebês sejam apuradas

Por Bruno Manson
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As mortes de bebês na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros estiveram entre os assuntos mais discutidos durante a sessão ordinária realizada segunda-feira (19) na Câmara Municipal. Empunhando cartazes, familiares e mães que perderam os filhos na instituição foram à Casa de Leis e pediram o apoio dos vereadores para apurar as acusações de negligência médica existentes contra o hospital.

Representando os manifestantes, João Tiengo usou a Tribuna Livre para solicitar ajuda. Visivelmente emocionado, o munícipe relatou o caso da nora, que perdeu o bebê pouco tempo após o parto. O caso ocorreu no dia 4 de março deste ano. De acordo com ele, a jovem tem plano de saúde e procurou a Santa Casa, uma vez que não estava sentindo os movimentos do bebê no ventre há cerca de 18 horas. No entanto, ela foi liberada sob as alegações de que o coração da criança estava batendo e “não era nada grave”.

João Tiengo: “Até quando vamos suportar esse mau atendimento?” (Divulgação/Câmara Municipal)

Estanhando o fato, Tiengo conta que a nora contatou o médico responsável por ela e foi instruída a voltar ao hospital assim que mudasse o plantão para exigir a realização de um ultrassom. Contudo, ao chegar na instituição, a gestante e os familiares foram informados novamente de que estaria tudo bem. Somente após a ameaça de acionar a Polícia Militar é que foram realizados exames e, posteriormente, o ultrassom. Neste momento, constatou-se que a criança estava em sofrimento fetal, com o cordão umbilical enroscado no pescoço.

“De imediato, acionaram a equipe médica para que fosse feita ali uma cesárea de emergência”, relatou. O bebê nasceu, mas faleceu cerca de uma hora e 40 minutos após o parto.

EQUIPE MÉDICA

Ao dar este testemunho, Tiengo chamou a atenção para um fato: a equipe médica que atendeu a nora foi a mesma que acompanhava Emili Isabele Pereira de Souza, de 18 anos, que perdeu o filho na quarta-feira (14). O caso ganhou repercussão e gerou grande comoção na cidade. “É inconcebível uma mãe, que esperou 9 meses, ao invés de levar o filho para casa, carrega um caixão para a sepultura”, desabafou.

Além disso, ele ainda declarou que outras mulheres que procuram a Santa Casa com alguma complicação na gravidez também têm tido um tratamento semelhante, sem passar pelo ultrassom. “Se formos investigar, vamos encontrar outras famílias passando pelos mesmos problemas”, alertou. “Até quando vamos suportar esse mau atendimento? Até quando que nós vamos ficar estáticos, sem nada fazer e esperando acontecer novas mortes, para que possamos tomar uma atitude necessária?”, questionou.

REUNIÃO

No decorrer da sessão, os vereadores Júnior da Van (PSD), Heldreiz Muniz (Rede), Carlos Gomes (PL), Joceli Mariozi (PL) e também o presidente da Câmara Municipal, Bira (PL), comentaram sobre as mortes de bebês e a necessidade de se averiguar isso com urgência.

Diante da gravidade das denúncias, o Poder Legislativo pretende realizar uma reunião na terça-feira (27) com representantes da entidade para apurar os fatos. Famílias e mães que perderam os filhos no hospital também confirmaram presença e irão acompanhar os trabalhos.

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