Taxa de furtos cresce 51,6% no 1º quadrimestre em São João

Por Ignácio Garcia
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Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo mostram que o índice de furtos considerados comuns cresceu 51,6% no 1º quadrimestre de 2022 em São João da Boa Vista (SP), com diferença –a maior— de 81 registros se comparado ao mesmo período do ano passado. De janeiro a abril, foram 238 ocorrências na cidade, contra 157 em igual período de 2021.

A alta também apareceu em abril: 75 furtos ante os 34 computados no mesmo mês no ano anterior, crescimento de 120%. Na comparação abril/março de 2022, foram dez casos a mais. Foram, portanto, 75 em abril; março (65); fevereiro (49); e janeiro (49). Ano passado, houve 34 furtos em abril, 41 em março, 34 em fevereiro e janeiro com 48.

Delegacia Seccional: sede abriga comando da Polícia Judiciária na região sanjoanense (Ignácio Garcia/O MUNICIPIO)

Já em relação aos roubos –comuns—, foram 13 casos de janeiro a abril, igual indicador registrado no intervalo de 2021. No quadrimestre de 2020, foram computados 21 casos, redução de 38% em comparação com o intervalo deste ano.

“É certo que a comparação 2021/2022, embora do mesmo período, não expira segurança, vez que o cenário social era totalmente diverso, face ao período de pandemia e isolamento social, com parte da sociedade ‘recolhida’ em seus lares e pouca frequência do público nas Unidades Policiais”, afirmou o delegado William Marchi, titular da Delegacia Seccional de Polícia de São João da Boa Vista, ao comentar o crescimento dos casos de furto na cidade.
Segundo Marchi, além da retomada comercial e das demais atividades em 2022, “que certamente contribui para o aumento da criminalidade”, houve uma ampliação e ampla divulgação dos tipos de crimes que permitem o registro policial por meio eletrônico.

O delegado ainda aponta que, embora tenha havido considerável redução do contingente da Polícia Civil, as estratégias realizadas para a otimização dos recursos humanos e as ferramentas tecnológicas implantadas e utilizadas na atividade de Polícia Judiciária e nas investigações policiais, contribuíram para o aumento na elucidação dos casos de autoria desconhecida, bem como na celeridade dos procedimentos instaurados.

“Apesar das circunstâncias supramencionadas, visualiza-se uma redução nos crimes de roubo, o qual sofre forte repressão da Polícia Civil, com esclarecimento das autorias e representação pela prisão cautelar dos delinquentes, fato que contribui, também, para a prevenção de novas práticas criminosas”, ressaltou.

O seccional também pontua que, embora os crimes de furto também sejam alvo de repressão nas investigações, “a legislação penal brasileira é mais branda quanto à segregação do respectivo autor”, em razão da ausência de violência quando da sua execução. “Tal qual ocorre com o crime de estelionato, que também apresenta considerável aumento nos últimos tempos, em razão da pandemia e da maior utilização de meios eletrônicos pelos cidadãos, seja em aplicativos instalados em telefones móveis ou em sites/e-mail acessados por computadores, via internet”, considerou.

Além tais fatores e a questão social, Marchi leva em conta que “não podemos desprezar a lamentável situação de saúde pública com relação aos usuários de drogas, cujos dependentes se dão à prática de crimes de furtos, especialmente em residências”, apontou.

Mas o delegado traz outra constatação: furtos de derivados de minérios, como fios e demais produtos ferrosos. Segundo ele, tais produtos tiveram aumento de mais de 1.000 % (mil por cento) em seus preços nos últimos tempos. “Mesmo naqueles comercializados em ‘ferros velho’, como, por exemplo, o ferro que, de R$ 0,12 o quilo da sucata, chegou a R$ 1,70 num comércio de sucatas, mesmo que irregular”, finalizou.

POLÍCIA MILITAR

Em nota, o 24º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), com sede em são João e que abrange outras 15 cidades, informa que a causa dos furtos requer uma análise mais profunda, remetendo ao período pré-pandêmico. “Se analisarmos o primeiro quadrimestre de 2018 e o de 2019 (anterior à pandemia), os números apresentados eram ainda maiores do que o período de 2022”, afirmou.

Levando em consideração os primeiros quadrimestres de 2020 e de 2021, intervalos que compreendem o momento de isolamento social resultado da pandemia imposta pelo coronavírus, a divisão da PM aponta que os números foram significativamente baixos.

“Em virtude das restrições de circulação, onde as pessoas ficaram mais em casa, inviabilizando as ocorrências de furto, tendo em vista que os furtadores se apropriam do princípio da oportunidade para efetuarem seus crimes, e a menor quantidade de pessoas circulando, bem como a ocupação em tempo integral em suas residências diminuíram essas oportunidades”, informou.

De todo modo, diante do aumento observado nos dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Polícia Militar reforça o Programa Vizinhança Solidária, uma forma de prevenção a estes delitos (furtos) que vem se expandindo cada vez mais pela cidade.

Segundo o 24º BPM/I, pelo programa, os moradores observam movimentações estranhas pela vizinhança e acionam a Polícia Militar. “Está à disposição da comunidade e, caso haja interesse, basta somente nos procurar para implementação em seu bairro. Importante também salientar a cautela com a exposição de aparelhos de valor, como celulares, televisões, tabletes etc. Importante, ainda, ter guardada [a] nota fiscal ou número de série (IMEI) anotado em algum lugar para que, ao registrarem a ocorrência de furto, possam constar estes dados no Boletim de Ocorrência, facilitando a restituição do bem ou objeto furtado, em casos de recuperação pela Polícia Militar”, concluiu.

FURTOS E ROUBOS DE VEÍCULOS

Em relação ao furto de veículos, embora os números sejam baixos, ficaram estáveis, com 11 registros até abril, contra 12 no mesmo período do ano anterior.

Em março de 2022, no entanto, houve registro atípico deste tipo de crime: foram nove casos no mês. Em abril houve um; nenhum em fevereiro e apenas um em janeiro. As ocorrências também ficaram estáveis no comparativo com 2020, quando aquele quadrimestre apresentou 11 furtos de veículos.

Quando as estatísticas referem-se ao roubo de veículos, São João registra um dado que pode orientar o trabalho das forças de segurança: a cidade computou quatro casos no quadrimestre ante três registros em todo o ano de 2021.

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