Morre Dusca, um dos melhores goleiros da história de São João

Por Pedro Souza
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Na manhã de segunda-feira (23), morreu Jaime Giollo, o Dusca, ex-goleiro histórico de São João da Boa Vista, com passagem marcante pelo Comercial de Ribeirão Preto (SP). Dusca tinha 85 anos e foi vítima de um infarto fulminante na própria casa em São João. Ele deixa a esposa Celina Percinotto Giollo, três filhas, nove netos e dez bisnetos.

Ídolo: goleiro Dusca é considerado um dos principais ídolos da história do Comercial (Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal)

HISTÓRIA

Dusca nasceu em 2 de março de 1937, em São João da Boa Vista. Iniciou a carreira no futebol aos 12 anos, no time do Perpétuo Socorro e logo depois no Esporte Clube 14 de Julho, time da rua onde residiu até o último dia de vida.

Aos 13 integrou o elenco juvenil do Palmeiras Futebol Clube, levado pelo saudoso Geleia, uma espécie de olheiro da época, que assistiu uma partida do arqueiro e fez o convite. Após boa passagem pelas divisões de base do Lobo da Vila, mostrando muita técnica e elasticidade, aos 19 já estava no profissional e fez parte do time titular que sagrou campeão invicto da 3ª Divisão de Profissionais.

No início do ano seguinte, em 1957, em plena lua de mel em Santos (SP), foi apresentado, por um parente, ao técnico Lula para treinar no alvinegro praiano, prestes a montar o melhor time de todos os tempos, com Pelé e cia. Porém, recém-casado, preferiu permanecer em São João, atendendo um pedido de Radar, técnico da Sociedade Esportiva Sanjoanense, que retornava com o futebol profissional depois de algum tempo de paralisação.

Em 1959, foi jogar na Caldense, da vizinha Poços de Caldas, depois de um convite de Lori, ídolo da Veterana. Foi quando despertou interesse no Comercial de Ribeirão Preto, onde viveu os melhores momentos dentro das quatro linhas.

DE DUSCA PARA JAIME

Na estreia pelo Comercial, Dusca jogou contra o Taubaté e literalmente agarrou a oportunidade defendendo um pênalti. No jogo seguinte, confronto com o Botafogo, também de Ribeirão, no tradicional clássico ‘Come-Fogo’. O sanjoanense entrou no segundo tempo, quando estava 3 a 3, fechou o gol e não saiu mais.

Em Ribeirão Preto não era mais Dusca, e sim Jaime. E também não era mais um simples jogador de futebol, era o goleiro das defesas incríveis, como gostavam de mencionar, principalmente os comercialinos.

Relevância: contratação de Dusca foi destaque na Gazeta Esportiva

SAÍDA CONTURBADA

Em 1964, após desentendimento com Alfredinho, ex-companheiro de equipe e o técnico da época, Jaime pediu para sair e foi jogar no Batatais, onde permaneceu por quase dois anos.

Com a cabeça em São João, em 1966 recebeu um convite para voltar a jogar pelo Palmeiras, que montava um bom time na época. Dusca não chegou a jogar por ter sofrido um acidente automobilístico, interrompendo a carreira futebolística aos 29 anos.

DUSCA BOUTIQUE

Ao parar com futebol, Jaime administrou com a família a Dusca Boutique, loja no ramo de roupas que existe até hoje, na rua 14 de Julho, onde exerceu por muitos anos a profissão.

A Dusca Boutique leva o nome do eterno goleiro sanjoanense, que curiosamente tem esse apelido por conta do corpo atlético e os poucos cabelos que tinha; as garotas da época diziam: é “duscareca que elas gostam mais”.

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