Você sabia que o frio interfere no sistema cardiovascular?

Por Ignácio Garcia
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Em dias de muito frio, para ajustar a perda de calor, o organismo coloca em ação um mecanismo para manter a temperatura do corpo constante. Este processo é denominado de vasoconstricção periférica.

“Sabiamente, o corpo humano diminui o calibre (a grossura) das artérias nas mãos, pés, orelhas, nariz, para diminuir a perda de calor. Isso ocorre para privilegiar e manter a temperatura adequada do coração, cérebro e outros órgãos nobres”, explicou Caio Henrique Torres Sousa, cardiologista e arritmologista membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

No frio: incidência de angina (dor no peito causada pela diminuição do fluxo de sangue no coração) (Reprodução/Via Google)

Como consequência da diminuição do calibre das artérias e veias, a pressão arterial aumenta, ou seja, ocorre o mesmo quando você aperta a ponta de uma mangueira e a água sai com mais pressão ao permitir que ela volte a fluir pela mangueira.

“Por essa razão, digamos, mecânica ou física, a pressão arterial tende a subir no frio e, por conta disso, no inverno, existe um aumento da incidência de angina (dor no peito causada pela diminuição do fluxo de sangue no coração), infarto e AVC”, alertou o cardiologista.

“O desempenho cardíaco fica comprometido com as baixas temperaturas e, por isso, quem sofre maior risco são aqueles que já são doentes, com pressão alta, diabetes e, assim, devem medir sua pressão e se medicar corretamente”, insistiu o especialista.

O médico traz dados como o da American Heart Association (AHA), que indicam aumento de arritmias cardíacas e morte súbita, infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC), que sobem em até 25% em períodos de queda de temperatura.

Dr. Caio: cardiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (Reprodução/Redes Sociais)

“Na capital inglesa, estudiosos do London School of Hygiene and Tropical Medicine confirmam que a queda repentina dos termômetros leva a uma relação em que para cada grau a menos, em um único dia, ocorrem 200 casos de infarto a mais. E, aqui em São Paulo, uma análise da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, com base em dados do Cadastro Nacional de Saúde, do Sistema Único de Saúde (SUS), de junho a agosto, indicou que sobem em 30% o número de internações em São Paulo causadas por infarto e arritmia, se comparada com os três meses de verão na capital paulista”, finalizou.

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