Indiciado por assassinar rapaz responde crime em liberdade

Por Bruno Manson
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Encontra-se em liberdade o policial militar da reserva suspeito de ter atirado e matado Diego Martins dos Santos, 25, conhecido popularmente como Araketo. O crime ocorreu na noite de 21 de março, nas proximidades do Centro de Integração Comunitária (CIC), no Jardim Santo André, em São João da Boa Vista. Conforme apurado pela Polícia Civil, a vítima estava adquirindo um tablete de maconha de um traficante, quando foi alvejada pelo pm aposentado, que fugiu do local em seguida.

A partir daí, a Polícia Civil iniciou uma minuciosa investigação para tentar descobrir a identidade do autor dos disparos. Foram coletados depoimentos e analisadas imagens de câmeras de segurança, o que possibilitou identificar o policial militar da reserva no dia 24.

Com a constatação, os agentes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) localizaram ele no dia seguinte e o conduziram até a Central de Polícia Judiciária (CPJ). Na ocasião, uma pistola calibre 380 foi apreendida.

Ao ser questionado sobre o homicídio, o aposentado alegou que atirou contra Diego após tê-lo confundido com um ladrão. Diante disso, ele participou da reconstituição do crime que ocorreu no mesmo dia.

Homicídio: rapaz foi morto com três tiros nas proximidades do CIC, no Jardim Santo André (Divulgação/Notícias Policiais)

SEM FLAGRANTE

Apesar desta apuração, o policial militar da reserva não ficou preso e acabou sendo liberado na ocasião. Em entrevista ao O MUNICIPIO, o delegado Fabiano Antunes de Almeida explicou que a liberação do suspeito ocorreu devido ao fato dele não ter sido pego em flagrante delito. “Não houve prisão em flagrante na ocasião, motivo pelo qual o delegado de polícia fica impedido de realizar eventual detenção”, comentou. “Certo que o crime ocorreu na segunda-feira, sendo que o autor foi identificado na sexta, quando de sua apresentação na unidade. Assim, incabível a prisão em flagrante pelo lapso temporal decorrido”, completou o delegado.

Diante dessa situação, a Polícia Civil concluiu as investigações e encaminhou o inquérito ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A arma apreendida está sendo submetida a exame pericial. O pm aposentado foi indiciado por homicídio qualificado consumado –devido a morte de Diego– e também por tentativa de homicídio –uma vez que atirou contra o traficante que entregava a droga à vítima.

EM BUSCA DE JUSTIÇA

Em contato com o jornal, Gracila Andrea da Silva, mãe de Diego, relatou o drama que tem passado diante deste caso. De acordo com ela, um advogado já foi contratado, uma vez que toda a família está inconformada com o crime e questiona a alegação do policial militar da reserva. “O advogado vai estudar isso também”, disse.

De acordo com ela, o atirador teria entrado em contradição no depoimento prestado à Polícia Civil. Segundo a mãe da vítima, nenhuma hipótese será descartada na averiguação da motivação do crime, inclusive a de racismo.

Gracila explica que não sabia do envolvimento do filho no tráfico de drogas e que nunca teve contato algum com o autor dos disparos. “Não o conhecíamos. Só sabemos do caso de 2020, quando ele atirou no empresário, no Centro”, contou.

Finalizando, a mãe de Diego anseia que este caso seja devidamente apurado na esfera judicial. “Nós, familiares e amigos, estamos esperando por justiça!”, clamou.

Diego Araketo: família contratou advogado para averiguar motivação do crime; suspeito responde em liberdade (Arquivo Pessoal)

O CRIME

Diego foi baleado na rua Artur Bernardes, ao lado do CIC. Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que naquela noite estava ocorrendo uma transação de drogas no local. O traficante estava em um automóvel Chevrolet Onix e realizava a entrega de entorpecentes para alguns motociclistas. Na ocasião, o rapaz compareceu no local de moto e adquiriu um tablete de maconha de aproximadamente 1 kg.

Durante a entrega da droga, o policial militar da reserva passava pelo trecho e disparou contra os rapazes ao notar a movimentação suspeita. Em depoimento, o aposentado alegou que pensou se tratar de um roubo, uma vez que o rapaz estava com a motocicleta parada ao lado do carro estacionado.

Diego foi atingido por três tiros – um no tórax, outro no punho esquerdo e o terceiro na perna direita – e morreu na hora. Quatro disparos foram contra motorista do Onix, porém, as balas acertaram somente no veículo.

TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Em 8 de fevereiro de 2020, o mesmo policial militar da reserva atirou contra um empresário em plena avenida Dona Gertrudes. Na ocasião, o aposentado também estava em posse de uma pistola calibre 380. Segundo informações obtidas, a desavença ocorreu por questões financeiras. Na época, a vítima sofreu cinco perfurações e precisou ser submetida a uma cirurgia. O agressor foi detido e levado ao Plantão Policial pela equipe da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam), da Polícia Militar. A arma utilizada e mais seis munições foram apreendidas. Após ter recebido voz de prisão por tentativa de homicídio, o suspeito foi escoltado até a sede do 24° Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), onde ficou preso até o dia seguinte. Após a audiência de custódia, ele foi liberado para responder ao processo em liberdade.

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