Sobrevivente da Covid, veterinário narra sofrimento da internação

Recuperado: Roberto Hoffmann ao lado da esposa, Márcia Silvana Perecin Hoffmann (Divulgação/Arquivo Pessoal)

O médico veterinário Roberto Hoffmann, que atualmente trabalha na Vigilância Epidemiológica da Diretoria Regional de Saúde (DRS-14), foi um dos sanjoanenses acometidos pela Covid-19 e que precisou de internação hospitalar para tratar a doença.

Hoffmann conta que na sua casa todos foram infectados: a mãe, de mais de 80 anos, a tia, ele e a esposa, Márcia Silvana Perecin Hoffmann. E foi enfático ao dizer sobre o perigo da Covid: “A doença é silenciosa e traiçoeira. Você nunca deve pensar que sintomas leves não sejam Covid e nem que eles não possam se agravar rapidamente, em questão de horas. É isso que acontece. Você não percebe. Sente um mal estar, uma dor de cabeça e no corpo, como uma gripe. Mas ela pode se agravar porque ataca o pulmão, sem incômodo e às vezes até sem falta de ar”, detalhou.

O veterinário lembra que, em um domingo, teve uma diarreia ‘diferente’. Na segunda-feira, acordou melhor e foi trabalhar, estava apenas com uma tosse fraca, típica de quem dorme na frente do ventilador. “No trabalho, meu chefe de pronto falou para eu ir embora para casa. À tarde começou a aumentar a temperatura. Até na quarta [feira] estava bem. Mas na quinta, voltei ao médico, pois não estava muito bem”, explicou.

Ao passar pelo médico, na Santa Casa e pelo Centro Covid, os profissionais aumentaram o antibiótico. No sábado, Hoffmann passou muito mal e começou a sentir falta de ar. “A saturação, quando abaixa de 90, é necessário correr e aí é importante ter um oxímetro. Eu fui para a Santa Casa”, contou.

No hospital, além do medo, o sofrimento começou, já que não havia vaga nas enfermarias e ele permaneceu 14 horas no ambulatório, onde já começou a receber oxigênio. “Aí consegui uma vaga e fiquei uma semana internado”.

Mas o parceiro de quarto não teve a mesma sorte: faleceu e levou ainda mais tristeza e medo a Hoffmann. “Tiraram-me do quarto, mas foi triste. Existe todo um cuidado”.

Para ele, a melhor maneira é fazer a prevenção até que todos tomem a vacina, o que evitaria muito sofrimento. “A doença traz prejuízos em todas as áreas, inclusive emocional. As pessoas que gostam da gente ficam angustiadas; sofrimento insuportável. E passar por essa experiência foi muito triste, a pior da minha vida. Já passei por várias cirurgias, já fui internado várias vezes, mas essa foi a pior experiência, pois você vê o sofrimento e a morte do seu lado”.

BOM TRABALHO

Muitas vezes criticado, Hoffmann faz questão de elogiar o trabalho desenvolvido na Ala Covid da Santa Casa. “A equipe liderada pelo médico Abraão, preciso ressaltar. Um médico que foi uma grande aquisição para São João, que não podemos perder. Ele e a esposa, dra. Caroline, comandam aquela equipe com muito amor (choro), com muita dedicação. Isso me tocou muito. Eles motivam todo mundo, equipe de enfermagem, fisioterapia, da faxina, de todos. Temos profissionais da mais alta qualidade lá, que precisam ser reconhecidos pela sociedade (choro). Nunca vi uma equipe de fisioterapia, enfermagem e médica trabalhar tão integrada. Muito bom”, relatou, emocionado.

Para o veterinário, os profissionais da Santa Casa estão salvando vidas. “Eles estão cuidando com muito profissionalismo, capacidade, super atualizados com procedimentos, medicamentos. Fiquei muito feliz e agradeço, em primeiro lugar a Deus e, em segundo, à equipe da Santa Casa”.

PREVENÇÃO

Depois de tudo que passou, para o veterinário só há um caminho: a prevenção. “Estamos vivendo uma situação de guerra, algo que nossa geração nunca passou. E durante um período de guerra, alguns direitos individuais vão ficar mais restritos. Pode parecer algo muito absurdo, mas não é”.

Hoffmann ainda ressalta que tomar a vacina não significa relaxar isolamento. “Eu tomei as duas doses e mesmo assim tive. Tomei a segunda dose e fiquei doente quatro dias depois. Não deu tempo da segunda dose fazer o efeito. Mas tenho certeza que, de alguma forma, ela me protegeu, poderia ter sido pior. Mas o fato de tomar a vacina não significa que será totalmente imune. Portanto, tomar a vacina não te livra dos demais cuidados”, orientou.

Sobrevivente da Covid, o veterinário deixa uma mensagem de união e esperança. “Temos que usar todas as forças que a gente tem. Ao invés de ficar em pé de guerra com o outro, temos que nos unir na guerra. Não podemos brigar porque pensamos diferente. Agora é hora de mantermos essa união, nessa luta e depois tentar recuperar o que estamos perdendo. Sou um sobrevivente e isso me fez rever o que penso da vida. Agora é fazer a minha vida continuar valendo a pena, contribuindo com a sociedade, com as pessoas”, finalizou.

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