Na ‘contramão’ do restante do mundo, o Brasil vive atualmente um momento crítico em relação à pandemia. Enquanto o número global de novas mortes decorrentes de Covid-19 sofreu uma queda importante na última semana, a realidade brasileira não acompanha essa evolução.
De acordo com dados divulgados terça-feira (16) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 81 mil mortes foram registradas na última semana no mundo, 10% a menos que nos sete dias anteriores. Já no Brasil, os índices não perdem força. Na semana que terminou no dia 14 de fevereiro, o país viu um leve aumento de 1% no número de novas mortes, num total de 7,4 mil vítimas fatais. Uma semana antes, a taxa havia recuado em 1%. Mas a tendência de queda não se manteve.
MORTES
Seguindo esta ‘tendência’ nacional, São João da Boa Vista segue contabilizando mais mortes pela Covid-19. A primeira ocorreu no dia 23 de abril. A partir daí, a pandemia foi fazendo mais vítimas gradativamente. Em maio, o Departamento de Saúde contabilizou cinco óbitos causados pelo novo coronavírus e uma morte por outra causa, mas com a presença da doença.
Em junho, São João chegou a cinco óbitos por Covid-19, além de dois por outras causas, porém, com o vírus no organismo. A quantidade de vítimas subiu para oito em julho, aumentando para 12 em agosto e 19 em setembro.
No mês de outubro, São João já somava 22 mortes e três por outras causas, mas com a presença da doença. Posteriormente, a cidade contabilizou 26 falecimentos em novembro, encerrando o mês de dezembro com 32 vítimas da Covid-19.
Após as festividades de final de ano, São João veio contabilizando cada vez mais mortes. No primeiro boletim divulgado este ano – no dia 4 de janeiro –, o município registrava 34 óbitos. Ao final do mês, o Departamento de Saúde já contabilizava 44 falecimentos – segundo dados divulgados no dia 29. Em 1º fevereiro, o município somava 47 mortes. E ontem chegou ao 58ª vítima.
CASAL
Em meio a essas vítimas está o casal Rosa Maria de Souza e Odair Pereira Souza Silva, donos da Lanchonete Beira Rio. As mortes ocorreram em um espaço de tempo de seis dias, o que causou uma grande comoção nas redes sociais.
Com 70 anos, Rosa começou a ter sintomas no dia 30 de janeiro. Com a saúde fragilizada, ela precisou ser internada no dia 6 de fevereiro. A situação foi se agravando e a paciente acabou não resistindo, vindo a falecer na sexta-feira (12).
Odair tinha 74 anos e começou a apresentar os sintomas no dia 5. Com o avanço da doença, ele – que era portador de diabetes mellitus e hipertensão arterial – precisou ser internado na sexta-feira (12), na Santa Casa Dona Carolina Malheiros – com exame RT-PCR coletado dois dias antes. Contudo, o comerciante não resistiu ao agravamento da doença e faleceu na quinta-feira (18).
Em nota, a administração municipal manifestou solidariedade aos familiares e reforçou o apelo à população para que siga mantendo o distanciamento social, a utilização de máscaras – cobrindo nariz e boca – e a higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, assim como evitar aglomerações.

BALANÇO
São João contabiliza 3.292 casos positivos de Covid-19, conforme dados do boletim oficial divulgado nesta sexta-feira (19). Segundo o balanço, 2.956 pessoas já se recuperaram da doença, porém, 21 se encontram hospitalizadas e 254 recebendo o tratamento em casa.
Desde que teve início a pandemia, o Departamento de Saúde registrou 6.305 suspeitos, sendo que 5.513 foram notificados e submetidos a exames, enquanto que 792 permanecem monitorados. Até o momento, 2.221 pessoas tiveram exame com resultado negativo.

ALAS COVID
As taxas de ocupação das Alas Covid continuam preocupantes. De acordo com o boletim oficial, a Santa Casa Dona Carolina Malheiros e o Hospital e Maternidade Unimed encontram-se com as enfermarias 100% ocupadas.
Em relação às UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) também estão em situação delicada, com 80% de ocupação na Santa Casa e 50% na Unimed.
ISOLAMENTO SOCIAL BAIXO
Apesar das mortes e do avanço da Covid-19, a sociedade sanjoanense pouco tem se conscientizado a respeito das recomendações sanitárias, principalmente em relação ao distanciamento social.
E a maior prova disso são os dados divulgados pelo Governo Estadual, onde a taxa de isolamento social é de 45% no município.




