
Após algumas informações desencontradas, o Departamento de Saúde iniciou oficialmente na terça-feira (9) a vacinação contra a Covid-19 em idosos maiores de 90 anos e portadores de deficiências permanentes graves maiores de 18 anos.
Para a realização desta etapa, as seis Unidades de Saúde foram escolhidas como pontos de vacinação: São Lázaro (Dr. Delvo Westin), Vila Conrado (Dr. Acidino de Andrade), Vila Valentim (Dr. Ermelindo Arrigucci), Jardim São Paulo (Dr. Paulo Emílio), Durval Nicolau (Dr. Raul de Oliveira Andrade) e Bairro Alegre (Dr. Amado Gonçalves dos Santos).
De acordo com o órgão, as pessoas com dificuldades de locomoção serão vacinadas no próprio veículo, não sendo necessário o desembarque. Nos casos de pessoas acamadas, os familiares deverão entrar em contato com a Unidade de Saúde de seu bairro e informar a condição. Conforme disponibilidade, a vacinação irá ocorrer em domicílio.
DOSES APLICADAS
Segundo o balanço divulgado pela Prefeitura de São João da Boa Vista, somente na sexta-feira (5) foram aplicadas 924 doses da vacina Coronavac. Ao longo de 16 dias de vacinação, 4.731 pessoas receberam a primeira dose, sendo 3.151 da Coronavac e 1.580 da AstraZeneca. Este número representa 5,16% da população sanjoanense, entre trabalhadores da saúde e idosos vivendo em instituições de longa permanência – índice superior às médias nacional e estadual.
RANKING
Até sexta-feira (5), São João da Boa Vista aparecia na 23ª posição entre as cidades do Estado de São Paulo que mais vacinaram. Já na região do Departamento Regional de Saúde (DRS XIV), que abrange 20 municípios, São João lidera.
INFORMAÇÕES DESENCONTRADAS
O início da vacinação em idosos foi marcado pelo desencontro de informações dentro da própria Prefeitura. Anteriormente, a administração municipal havia anunciado que a imunização para esta faixa etária de idosos ocorreria na segunda-feira (8) – conforme noticiado na última edição do jornal O MUNICIPIO. No entanto, a mudança na data ocorreu e somente foi anunciada à noite, após a finalização da edição impressa.
Como se não bastasse isso, um leitor teria contatado a prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM) por WhatsApp no domingo (7) para saber a real data da imunização em idosos e recebeu a informação que a ação se iniciaria no dia seguinte.
VACINADOS ANTES

Conforme apurado, houve idosos que foram até as Unidades de Saúde na segunda-feira (8) e acabaram recebendo a dose mesmo sem a campanha começar oficialmente. Isso acabou gerando queixas, uma vez que muitos estavam aguardando o início oficial da vacinação.
Em nota, a Prefeitura justificou o caso. “Apesar do início oficial da vacinação em idosos acima de 90 anos ser nesta terça-feira (9), alguns compareceram hoje nas Unidades de Saúde do município. Como a entrega das vacinas ocorreu no período da manhã, o Departamento de Saúde da Prefeitura autorizou a vacinação nessas pessoas que compareceram nas unidades no período da tarde, devido a idade avançada e os riscos que podem ser evitados, caso tivessem que sair de suas casas novamente”, alegou a administração municipal.
POLÊMICA
A imunização de outros profissionais antes de idosos gerou polêmica na última semana. Veterinários, professores de Educação Física, protéticos dentários, nutricionistas, assistentes sociais e outros mais foram priorizados. Em contato com o jornal O MUNICIPIO, o Departamento de Saúde relatou que estes profissionais foram pré-determinados estritamente dentro do calendário da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Contudo, o Governo Estadual orienta que nesta estratégia, os municípios podem solicitar documento que comprove a vinculação ativa do trabalhador com o serviço de saúde ou apresentação de declaração emitida pelo serviço de saúde. Ou seja: para ser vacinado, o profissional deve comprovar que tem vínculo com algum serviço de saúde.
Em entrevista ao portal G1, o infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), Renato Kfouri, alerta que, quando um critério é generalizado, é possível que ocorram distorções. “Você vai ver [nesse cenário] um veterinário que fica em casa, aposentado, ser vacinado, enquanto um enfermeiro de uma unidade básica não foi”, disse. “Quando você inverte as prioridades, coloca gente de menor risco na frente da de maior risco, em qualquer situação, você acaba não atingindo o principal objetivo do programa, que é proteger os mais vulneráveis”, explicou Kfouri.
O infectologista ainda ressalta que a tarefa cabe a cada gestor, de cada município, mas que não é uma missão fácil. “Hierarquizar milhares ou milhões de habitantes de um município exatamente na ordem correta é muito difícil operacionalmente”.




