
Comerciantes sanjoanenses já demonstram preocupação frente às novas restrições impostas pelas fases Laranja e Vermelha do Plano São Paulo de flexibilização gradual da economia. Muitas das determinações já foram estabelecidas por decreto na publicado pela Prefeitura de São João na última segunda-feira (25).
Alguns empresários ouvidos pela reportagem do O MUNICIPIO estão preocupados com o aumento da disseminação do novo coronavírus na cidade, mas também em como sustentar as responsabilidades diante do fechamento na fase mais rígida aos finais de semana, feriados e também a partir das 20h em dias úteis. É o caso de Frederico Rodrigues Mauro, proprietário e administrador da Kasa Sushi.
“Mantemos mesas afastadas, álcool 70% na limpeza das mesas, garçons com os equipamentos necessários, mas fechar o restaurante para atendimento presencial é insustentável. Essa nova fase está muito pior do que o ano passado, porque na época tínhamos redução de funcionários, negociação de aluguel, linhas de financiamento para folha de pagamento, agora dessa vez estamos sozinhos, não existe nenhum apoio. A realidade é que agora, mais do que nunca, a situação está insustentável”, disse.
Mauro falou também sobre a preocupação em demissões de funcionários em diversos bares da cidade.
“Em conversas com colegas, também donos de restaurantes e bares, já se falam em demissão de até 40% da equipe e até em fechamento de estabelecimentos. Não acreditamos que essa fase dure apenas 15 dias; na nossa visão será de pelo menos um mês. Estamos adiantando férias de funcionários e criando estratégias para ter menos prejuízo, mas está complicado sem apoio. A Teresinha [prefeita]parece estar disposta a ajudar, eles pensaram em uma possível flexibilização de algumas normas e horários, mas não podem porque qualquer coisa que fazem, o MP [Ministério Público] ameaça com multas, governador ameaça com cortes de verbas. A Prefeitura fica amarrada ao Plano SP, onde o governador está vendo o macro e não o micro”, comentou.
PREPARADA PARA NOVAS RESTRIÇÕES
Eloise Zanette, proprietária da boutique Santa Saia, já vinha se preparando para novas restrições desde 2020.
“Por conta da elevação de casos no Estado, já vínhamos nos preparando para algum tipo de restrição de funcionamento. Nossa dúvida não era se aconteceria, mas quando. A gente tentou se preparar da melhor forma possível, desde a questão do estoque até o incentivo e ajustes no nosso serviço de envio de sacolas e outros produtos para as clientes em casa”, destacou.
Eloise pontuou também os obstáculos que 2021 pode trazer em relação ao comércio na pandemia.
“Acho que 2021 ainda será um ano que acontecerão outros episódios de restrição de funcionamento, periodicamente. Enquanto não tivermos uma grande porcentagem da população vacinada, teremos esse problema”, pontuou.
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
Em nota, a Associação Comercial e Empresarial (ACE) disse considerar a recente evolução da pandemia em São João e que é motivo de preocupação, especialmente diante do aumento de casos e do número de óbitos.
“Destacamos que as novas medidas para reduzir o impacto da Covid-19 também devem levar em conta que o setor comercial não pode ser o único responsabilizado por essa situação. É necessário também que a população assuma sua responsabilidade de respeitar as regras sanitárias, o uso de máscaras e o distanciamento social, evitando festas e aglomerações, saindo de casa somente quando necessário”, comunicou.
A entidade acredita que, sem isso, essas medidas de segurança, por mais que o comércio varejista se esforce, não conseguirá controlar o coronavírus.
“No último ano passamos por momentos piores que esse de fechamento e temos de ter em mente que, se essa adoção da fase Laranja e fase Vermelha falhar, eventualmente corremos o risco de dar um passo atrás, para uma restrição ainda mais dura – o que atingirá muitas empresas, levando a demissões e fechamentos. E, mais que isso, o descontrole da doença pode levar a superlotação de leitos de enfermaria e de UTI, levando a ausência de leitos para atendimento a doentes como, infelizmente, já ocorreu em outras cidades”, reforçou.
A ACE ainda aponta que, por isso, mais que nunca, a união é necessária.
“O principal foco de todos nós de São João – empresários e população em geral – deve ser cumprir as indicações do Plano SP, para que possamos retomar nossas atividades de forma mais rápida possível”, trouxe no comunicado.




