Curados da Covid revelam sequelas deixadas pela doença

Danos: por conta da ajuda do respirador, pacientes afetados pela Covid-19 acabam perdendo eficiência da função pulmonar (Reprodução)

Corrente em parte da sociedade que nega a gravidade da Covid-19 tem colaborado para que muitas pessoas não cumpram as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde.

Mas, se para muitos a doença pode passar despercebida e por vezes até mesmo como uma simples gripe, para outras famílias a história foi e ainda está sendo diferente.

O empresário sanjoanense Oscar Castellan é a prova de que a doença é grave e merece muito cuidado. Na família dele, dez pessoas foram contaminadas, sendo que ele, a sogra e o sogro precisaram ser internados. O sogro infelizmente não suportou os efeitos da Covid e faleceu; já ele e a sogra conseguiram se curar após dias de internação, porém ainda sentem os efeitos da doença.

“A Covid é séria, muito séria. Vejo pessoas brincando, não tomando as providências necessárias, não seguindo protocolos e isso nos assusta, porque só quem pegou sabe do que ela representa. Não brinquem, a coisa é seríssima”, garantiu.

Hoje, ele afirma que estão se recuperando, mas uma caminhada de poucos metros já pode trazer falta de ar. “A recuperação completa vai de três a seis meses e temos que evitar muitas coisas. Temos que fazer exercícios respiratórios para que o pulmão volte a ser o que era”, disse.

O riopardense José Eduardo Paolini Castoldi, 56, é outra vítima da Covid-19 e que não conseguiu, mesmo após a cura, retomar a vida como era antes.

Castoldi foi contaminado em novembro de 2020 e no início sentiu somente coriza fraca e dores nas costas. Porém, logo depois, teve febre durante três dias seguidos e os sintomas pioraram, quando começou a sentir cansaço e falta de ar.

Por orientação médica, ele foi internado e passou por tratamento rigoroso à base de antibióticos e cortisona no hospital, onde também precisou de oxigênio. Mesmo curado há mais de um mês, ele ainda carrega as sequelas da doença.

“Acredito que fui curado, mas as sequelas ficaram como, por exemplo, cansaço seguido de falta de ar, esquecimento e um sintoma que não sei explicar muito bem, mas se parece com um desequilíbrio ao caminhar, como se eu estivesse embriagado”, revelou.

Diante de tudo que viveu, Castoldi pede à população mais seriedade. “Eu diria a essas pessoas que valorizassem suas vidas um pouco mais, levando mais a sério os protocolos de segurança, pois o vírus não perdoa e está circulando em toda parte. Eu posso dizer que minha cura foi um milagre, pois tenho diabetes do tipo 2 e isso poderia ter agravado meu tratamento”, completou.

Comprometimento: muitos acabam com dificuldade em respirar durante caminhadas rápidas (Reprodução)

A situação de Patrícia Arnone, 41, também moradora de São José do Rio Pardo, não é diferente. Mesmo sendo jovem e sem nenhuma comorbidade, ela ‘sentiu na pela’ a força da Covid-19.

Os sintomas começaram com dor de cabeça, mal-estar e moleza. “Fiquei assim por quatro dias, no quinto comecei a ter febre, que persistiu até o décimo dia. Perdi o paladar. Fiz uso de antibióticos via oral por cinco dias, não obtive nenhuma melhora, evoluiu para uma pneumonia seca com 10% de comprometimento dos pulmões, tive muita falta de ar, uma tosse seca, dor no peito e nas costas. Aí precisei fazer uso de um novo antibiótico por via intramuscular e um anticoagulante. Foi onde comecei a me sentir um pouco melhor”, narrou.

Patrícia diz que ficar em isolamento por 15 dias com esses sintomas fortes da doença foi o pior momento da sua vida. “Teve dias em que pensei que não conseguiria resistir”, afirmou.

Hoje, 45 dias após ter sido curada, a jovem ainda tem sintomas. “Fiquei esquecida, com raciocínio lento, sinto tonturas, taquicardia e a visão meio turva. Para quem não acredita fica um alerta: a doença existe e é grave. Se cuidem e cuidem do seu próximo”, orientou.

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