O Departamento Municipal de Saúde de São João confirmou, na terça-feira (12), mais três mortes provocadas por complicações da Covid-19. Pelo menos uma das vítimas, do sexo masculino, era portadora de Doença Renal Crônica.
Já se sabe que a Covid-19, primeiramente descrita apenas como uma infecção respiratória, pode afetar o funcionamento dos rins e outros órgãos do corpo, como o sistema circulatório, favorecendo a formação de coágulos no sangue, o coração, fígado, intestino e até o cérebro.
“Estamos diante de uma doença sistêmica, com diversos aspectos a serem investigados em todo o organismo. Sabemos que, depois da falência do pulmão, a falência renal é a mais comum em pacientes em estado grave de Covid-19”, disse o médico nefrologista José Suassuna, chefe do Setor de Nefrologia do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. Esse é um dos motivos da substantificação de casos, que acabam sendo lançados como óbitos por outras doenças.
ALTA LETALIDADE
Suassuna explica que os pacientes com doenças renais estão entre os grupos de risco para a Covid-19, assim como pessoas portadoras de outras comorbidades, como diabetes, doenças cardíacas, respiratórias e hipertensão – muitas vezes, desconhecidas pelos próprios pacientes, que não dispõem de informação ou recursos para acompanhamento médico regular.
“Essa situação por si só é grave, com alta mortalidade, mas no caso de insuficiência renal e Covid, temos uma letalidade média, entre os dois hospitais [Santa Casa e Hospital e Maternidade Unimed] de 78%”, explicou o médico nefrologista Cyro Fraga Moreira Filho, um dos coordenadores do Instituto de Doenças Renais (IDR).
AUMENTO DE CASOS NA CIDADE
Segundo Cyro, a situação é preocupante e a questão da vacina precisa ser acelerada. “A gente vê toda a situação com bastante receio, porque, com o aumento de casos, a tendência é aumentar o número de casos graves e os casos com insuficiência renal, com uma letalidade bastante alta. Temos que manter os cuidados de distanciamento social, os cuidados de uso de máscara rigorosamente, higienização de mãos com água e sabão ou álcool em gel. Temos um trecho longo aí para percorrer e não vale a pena a gente deixar a coisa caminhar sem um apoio da população, dos nossos governantes, no sentido de agilizar essa questão da vacina”, destacou.
O médico finalizou: “afinal de contas, são mais de 200 mil óbitos, é muito triste. Afinal, quantas famílias não foram penalizadas, não é mesmo?!”.
VACINAÇÃO SEGUE INCERTA
Na segunda-feira (11), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que os estados receberão as vacinas “três ou quatro dias” após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para início da imunização contra Covid-19.
“Todos os estados receberão simultaneamente as vacinas, no mesmo dia. A vacina vai começar no Dia D, na Hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita [pela Anvisa], a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios, para começar a vacinação no Brasil”, afirmou. São Paulo, por sua vez, confirma que mantém o início da vacinação em todo o Estado para o dia 25.




