
O Brasil começou a semana superando a marca de 1.000 vidas perdidas diariamente pela Covid-19 na média móvel — foram 1.016, mostrando variação de 65% em relação a 14 dias atrás. Situação de aumento de óbitos também tem sido verificada em São João da Boa Vista, que confirmou mais três mortes – uma registrada na sexta-feira (8), outra no sábado (9) e uma nesta segunda (11).
A 35ª vítima da sexta, um sanjoanense de 65 anos, morreu às 6h. Com diabetes, doença hepática crônica e renal crônico, o morador apresentou os primeiros sintomas em 1º de janeiro, foi internado na Santa Casa Dona Carolina Malheiros no dia 4 e o exame RT-PCR coletado no dia 5.
Já a 36ª vítima, uma mulher de 63 anos, também moradora da cidade, tinha hipertensão arterial, diabetes, doença cardiovascular crônica e asma. Os sintomas começaram no dia 21 de dezembro, ela foi internada no dia 28 e transferida para a UTI Covid da Santa Casa no dia 29. O exame RT-PCR foi feito no mesmo dia, com laudo positivo liberado no dia 30. Com as complicações, ela faleceu na segunda, às 9h35.
A 37ª vítima foi confirmada na tarde desta terça (12), em morte provocada por complicações da Covid-19. A mulher tinha 73 anos e era portadora de diabetes. Ela teve início dos sintomas no dia 2 de janeiro; foi coletada amostra de RT-PCR no dia 6, com a internação na UTI da Santa Casa Dona Carolina Malheiros no dia 8. Faleceu no último sábado (9), às 15h15.
Além dos óbitos, nesta terça-feira (12) foram registrados mais 88 casos positivos do novo coronavírus – no acumulado de sábado (9) até as 16h30 desta terça -, elevando ao total de 1.986 infectados desde o início da pandemia, em março de 2020.
Como a reportagem tem apurado, em curto prazo, as taxas devem continuar escalando e a tendência é que as estatísticas desta e das próximas semanas venham a ser ainda piores do que as da semana passada.
‘LIBEROU GERAL’
Há 13 dias no cargo, a prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM) já se reuniu com defensores de direito dos animais, representantes de um evento esportivo, vereadores, policiais civis e bombeiros, mas ainda não organizou ou indicou membros do Comitê Municipal de enfrentamento à Covid-19.
A gestão ainda discutirá, em reunião, sobre o cancelamento do Carnaval na cidade – notícia que sofreu duras críticas nas redes sociais. A projeção da retomada das aulas na rede municipal também foi alvo de críticas em momento em que a cidade vive um exponencial aumento de casos da doença e falta de leitos exclusivos para a Covid.
Mesmo diante da situação, a prefeita de São João, Teresinha, publicou, na última sexta (8), o Decreto nº.: 6.680/2021, contrariando o decreto estadual e as alterações do Plano São Paulo, estendendo o horário de restaurantes, lanchonetes e congêneres de 10 para 12 horas e liberando a venda de bebidas alcoólicas até as 22h. No documento, no entanto, não foi especificado nada quanto aos bares.
A liberação tem sido comemorada nas redes sociais e grupos de aplicativos de mensagem instantânea, por apoiadores da prefeita e também do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que consideram que as medidas restritivas são ações “ditatoriais do governo do Estado”. Muito desses grupos, por sinal, são compostos por comerciantes que realizaram manifestações contra o fechamento do comércio no ano passado. A prefeita teria, inclusive, mantido contato direto com estes grupos, por meio de WhatsApp, conforme O MUNICIPIO apurou.

DECISÃO DE RISCO
Porém, a decisão da gestão municipal é arriscada, especialmente a que libera a venda de bebidas alcoólicas e o funcionamento de restaurantes, lanchonetes e congêneres até as 22h. Há um consenso entre os médicos e pesquisadores do Centro de Contingência ao Coronavírus Estadual de que as aglomerações em bares, restaurantes, festas e depósitos de bebidas têm colaborado para acelerar as contaminações por Covid-19, uma vez que os consumidores tendem a ficar expostos em grupos, por longos períodos e sem máscaras.
Sobre essa questão, o governo do Estado se pronunciou, em nota, informando que espera que os municípios respeitem a classificação do Plano SP. “A Secretaria de Desenvolvimento Regional dialoga com as prefeituras que não seguem o Plano. Os Decretos estaduais prevalecem sobre normas editadas no contexto municipal. A análise das divergências entre leis é de incumbência do Ministério Público. O integral cumprimento das normas é fundamental para contenção das taxas de contaminação da Covid-19 em todo o estado”, afirma a nota.
O MUNICIPIO também questionou Donisete Tavares Moraes Oliveira, promotor de Justiça, sobre o decreto municipal. Ele afirmou que, ao analisá-lo, verificou que o mesmo não especifica nem cita bares. Diante disso, Oliveira antecipou que encaminharia ofício à prefeita Teresinha solicitando que esclareça especificadamente sobre este tipo de estabelecimento.
O promotor ainda observa que, em relação à venda de bebidas alcoólicas, o Plano São Paulo determina prazo até as 20h, enquanto que no decreto municipal consta até as 22h. Por isso, também pedirá, no mesmo documento, que a administração municipal esclareça a medida.
OUTRO LADO
A reportagem também questionou o Departamento Municipal de Saúde, bem como as Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária, se não consideram temerária a liberação de funcionamento até dos estabelecimentos citados no decreto as 22h, uma vez que o próprio Comitê Estadual de Gestão da Covid-19 já sinalizou que o aumento das movimentações em bares e festas tem sido um dos principais pontos de transmissão do vírus no último mês.
Em resposta, o Departamento de Saúde se limitou a apenas a informar “que não poupará esforços em seu papel de promover orientação e assistência à saúde pública de maneira integral, dentro de suas especificações, em qualquer cenário que porventura venha a atuar”.
Ao ser perguntada se foi revogada a Portaria Estadual CVS-24 – editada pela Vigilância Epidemiológica Estadual e que suspende a venda de bebidas alcoólicas após horários determinados – a Pasta apontou que “não foi revogada oficialmente. Houve um pronunciamento do governador orientando que a fase amarela fosse mais flexível, conforme dados epidemiológicos locais. Diante disso, foi publicado no dia 08/01/2021 o Decreto Municipal nº.: 6.680, ampliando alguns horários de funcionamento e capacidade.”
Sobre o Comitê Municipal da Covid-19, a Pasta revela que ele ainda está em reestruturação. “Por hora, suas funções estão sob responsabilidade do Departamento Municipal de Saúde”.
Acerca do número de atendimentos no Centro de Atendimento para Enfrentamento à Covid, informou que, segundo dados do Sistema de Prontuário Eletrônico, foram 76 consultas médicas no dia 7; outras 67 no dia 8; 72 no dia 9; 50 no dia 10; e 61 até as 12h51 de segunda (11). “Conforme consta em nosso Sistema de Prontuário Eletrônico, existe uma tendência de aumento no número de atendimentos realizados às segundas-feiras”.
Também completou que nem todas as pessoas que passam por consulta médica no Centro Covid estão no período correto para coleta do RT-PCR (no 3º ao 7º dia de início de sintomas). “Fora deste prazo, as pessoas serão orientadas a cumprir o isolamento domiciliar e são monitoradas pelas equipes das Unidades de Saúde. Após o 20º dia de início dos sintomas, farão o teste sorológico ECLIA, com 100% de efetividade, completou.




