
Nesta sexta-feira (20) é o Dia da Consciência Negra, feriado instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, em referência à morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares.
Coincidentemente neste mês, uma formanda em jornalismo pelo UniFAE apresentou seu TCC, o livro-reportagem ‘Ubuntu’, que trata de questões como empoderamento feminino quando se é negra.
Lethycia Fernandes Gonçalves Costa elaborou esse livro-reportagem, a ser lançado justamente no dia 20, pela Amazon, sob orientação da professora/Mestra Beth Miranda.
“‘Ubuntu’ é uma palavra africana de origem Zulu, que significa ‘eu sou porque nós somos’.
Acredito muito que o individual interfere no todo. Se mulheres negras podem estar onde sonharam nos dias de hoje, é porque feministas negras lutaram por esses direitos anteriormente. Na minha vida foi assim, se hoje tive a oportunidade de concluir o ensino superior, foi porque minha irmã mais velha veio antes de mim e quebrou, na nossa família, esse paradigma do sistema, de que mulheres negras e filhas de empregadas domésticas nascem predestinadas ao trabalho doméstico. Ela abriu esta porta para mim, que sou a próxima geração”, descreveu Lethycia, acrescentando que o feminismo negro é uma causa em sua vida.
Para ela, o racismo e toda exclusão que ele provoca sempre a incomodaram e conta que, no ensino médio, nas aulas de história, ela já considerava um absurdo tudo a que a mulher negra sempre foi exposta e obrigada a fazer, só por ser negra.
“O que me incomoda ainda mais é que o ano é 2020 e mulheres negras ainda são submetidas a situações desumanas, só por causa da sua cor. Então esse livro tem como objetivo ser um ‘quilombo literário’ a outras meninas negras. Quero que leiam e se inspirem. Vejam que as sete entrevistadas conseguiram vencer a predestinação do sistema e hoje, profissionalmente, ocupam o lugar que sempre sonharam, conseguiram quebrar as barreiras do trabalho doméstico”, salientou.
Dentre as sete personalidades que ela entrevistou para redigir seu livro-reportagem, um parêntese especial é para uma sanjoanense que realiza um projeto junto com a filha de 8 anos, de geração de conteúdo sobre a população negra, com linguagem infantil mesmo, na intenção de que outras crianças assistam aos vídeos e que o empoderamento negro chegue antes do racismo na vida de crianças negras, a fim de enfraquecê-lo.
“O trabalho [‘Ubuntu’] é relevante porque anos se passaram e mulheres negras ainda não são tratadas como seres humanos, apesar de representarmos mais de 25% da população brasileira. Quero que os leitores vejam valor na mulher negra, vejam potência profissional e que, quando meninas e mulheres negras lerem o livro, sintam-se representadas e inspiradas”, finalizou.




