Reviravolta com suspensão das aulas na rede privada surpreende

Suspensas: aulas presenciais em escolas particulares só devem retornar em 2021 (Divulgação/Colégio Santo Expedito)

Foi publicado na tarde de quarta-feira (30), no Jornal Oficial da Prefeitura, o Decreto nº.: 6.564, que altera o de nº.: 6.394, de 20 de março de 2020, e que foi motivado pela reivindicação da rede privada de ensino para suspensão das aulas presenciais.

O prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB), no uso de suas atribuições legais, alterou o Decreto de 20 de março, cujo art. 3º-G passou a vigorar como: “Ficam suspensas as aulas presenciais na rede privada de ensino até 31 de dezembro de 2020.”

Contudo, em 25 de setembro, havia sido publicado o Decreto nº.: 6.557, em que este artigo e alínea traziam a seguinte redação: “Art. 3º-G – Fica autorizada a retomada, das aulas e atividades presenciais na rede privada de ensino, a partir de 07/10/2020, atendidos os protocolos do Plano São Paulo para este seguimento e observado o Decreto Estadual nº.: 65.061, de 13 de julho de 2020, com as alterações do Decreto Estadual nº.: 65.140, de 19 de agosto de 2020; desde que seja mantida a região na fase amarela.”

Em contato com a assessoria do Executivo, a mesma informou a reportagem que “A Prefeitura não irá [iria] se manifestar diante da publicação do último Decreto.”

VISÃO DAS ESCOLAS
Fabrício Campos de Lima, gestor do Colégio Santo Expedito, conta que esta instituição de ensino ficou surpresa com a notícia do Decreto nº.: 6.564, “pois, segundo a última informação divulgada, foi feita uma reunião entre o nosso prefeito e alguns gestores de colégios particulares de nossa cidade, à qual não estávamos presentes para expor nossa opinião e ideias. Mesmo entendendo a gravidade em que nos encontramos no momento e os riscos que ainda existem, esperávamos uma flexibilidade maior de nossas autoridades, já que a maioria dos segmentos está trabalhando”.

O gestor salienta que, mesmo entendendo que o momento ainda não é o mais seguro para retomar as aulas presenciais, o Colégio Santo Expedito não tinha como virar as costas para um quarto dos pais que precisavam e contavam com essa volta, pois estão encontrando dificuldades para continuar em seus empregos e até mesmo em continuar mantendo o Colégio.

Já Ana Cláudia Vansetti Braz, mantenedora e diretora da unidade de Ensino Médio do Colégio Externato, entende que foi difícil a decisão tomada pelo Executivo por todas as escolas, visto que, para retornar às aulas, todas deveriam estar adequadas ao retorno de acordo com as normas e diretrizes de biossegurança, que iriam dar condições para que alunos, professores, funcionários e suas famílias não fossem contaminadas pela Covid-19.

“Porém os custos para que as escolas pudessem viabilizar esta segurança são demasiadamente altos e ainda assim não garantiria que a comunidade escolar não fosse atingida. É importante ressaltarmos que desde o dia 24 de março estamos com aulas remotas (ao vivo) e o prejuízo pedagógico foi diminuído consideravelmente, visto que toda a equipe não mediu esforços para entregar aos pais e aos alunos, o ensino de qualidade”, pontuou Ana Cláudia.

E acrescenta que o Colégio Externato estava preparado para qualquer situação que lhes fosse determinada.

Professores manifestam-se

Gislaine Fonseca é professora em dois colégios particulares de São João da Boa Vista e estava apreensiva em relação ao retorno das aulas presenciais.

“Ainda estamos vivendo uma pandemia. Por motivo de segurança, estamos sem respostas para muitas coisas e também temos muitas dúvidas em relação ao que pode acontecer! Apoiamos a iniciativa do prefeito, estendendo o decreto para suspensão das aulas presenciais até dezembro, mesmo tomando todas as medidas e precauções para a volta – ainda é o ‘seguro’. Com aulas presenciais, mesmo tomando todas as medidas de saúde, é incerto afirmar o que poderia acontecer”, observou Gislaine.

O professor João Guilherme Pellegrini, por sua vez, comenta que, ainda que um quadro de melhora aos poucos se apresente, vive-se atualmente diante de números mais preocupantes do que os que existiam no contexto inicial, quando o colégio no qual ele trabalha (COC São João) optou por suspender as aulas, em caráter preventivo.

“Naquele momento, os casos ainda eram menos numerosos que agora e toda a população compreendeu que a adaptação para as aulas EaD [Ensino a Distância] era necessária. Sendo assim, é ilógico discutir uma retomada das aulas presenciais agora. A aula presencial é mais prática, não trava, não requer edição, não depende de uma internet estável para upload… com certeza dá menos trabalho. Nós, professores, temos trabalhado muito mais desde que a quarentena começou, mas não podemos pensar apenas em nós mesmos. Cada aluno representa uma família, com várias outras vidas envolvidas”, enfatizou João Guilherme.

O professor Eduardo, do Colégio Externato, também se sente seguro com a continuidade da suspensão, pois tem familiares em grupo de risco (idosos e diabéticos) e, com a abertura dos locais públicos frequentados por jovens (grandes vetores do vírus), o risco de contaminação é maior.

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