
Os recentes incêndios ocorridos nas serras de Águas da Prata, São João da Boa Vista e Vargem Grande do Sul deixaram um verdadeiro rastro de destruição. Apesar de ainda não terem sido desvendadas as causas dos focos – os quais são alvos de duas investigações da Polícia Civil –, o impacto na natureza é imensurável.
Águas da Prata teve cerca de 20 hectares consumidos pelo fogo. Local de beleza excepcional e abrigo de diversas espécies ameaçadas de extinção, o Parque Estadual sofreu bastante com as chamas. Ao longo de todos esses dias de trabalhos, as equipes anti-incêndios estiveram no local para combater as labaredas que se espalharam pela mata, consumindo a vegetação e matando diversos animais silvestres. O cenário que era tomado pelo verde das plantas, tornou-se cinzento, trazendo um aspecto apocalíptico.
Durante esta semana, a Prefeitura de Águas da Prata contatou a Fundação Parque Florestal para uma eventual elaboração de um plano para o reflorestamento da área de mata atingida pelos incêndios. Na manhã de terça-feira (15), uma equipe esteve na Fazenda Califórnia, que faz divisa com o bosque, captando imagens de solo e aéreas dos pontos afetados.
“Esse é um trabalho que precisa ser feito com planejamento dadas as condições do solo e, portanto, no momento certo. Breve o trabalho de recuperação deve começar, se for essa a estratégia necessária. É importante que sejam observadas as espécies nativas até para que o ecossistema afetado seja respeitado. Há casos em que o reflorestamento não é indicado sendo que a recuperação natural da mata pode ser melhor. Todas essas questões devem ser avaliadas agora”, afirmou a administração pratense.
ANIMAIS MORTOS
Dentre as cidades atingidas, São João da Boa Vista é a que teve a maior área queimada ao longo desses dias, totalizando aproximadamente 500 hectares. O tempo seco e o vento contribuíram para que as chamas se espalhassem rapidamente pela Serra da Paulista, atingindo propriedades rurais e destruindo áreas verdes. Muitos animais morreram carbonizados.
Em algumas fazendas, as cercas foram cortadas para que os rebanhos pudessem escapar do fogo. Conforme apurado, um haras perdeu dois cavalos que estavam em um piquete e não puderem ser retirados a tempo. Um Ponto de Atendimento Veterinário foi montado pelo UniFEOB (Centro Universitário Octávio Bastos) para resgatar as espécies machucadas ou desabrigadas.
Além da Serra da Paulista, ainda houve duas queimadas simultaneamente na noite de domingo (13) no bairro rural do Macuco. Apesar do susto, o fogo foi contido pelas equipes das Prefeituras de São João e de Santo Antônio do Jardim.
REBANHO SALVO
Em Vargem Grande do Sul, os incêndios destruíram cerca de 165 hectares. Um imenso esforço foi realizado para conter as chamas que atingiram a zona rural do município. Em um dos pontos atingidos – na proximidade do Barro Preto –, a Guarda Civil Municipal ficou ao longo de uma noite inteira debelando as labaredas que consumiam a vegetação local. O fogo somente foi contido na manhã do dia seguinte e quase matou um rebanho bovino.
ÁREAS QUEIMADAS
De acordo com informações divulgadas pela Defesa Civil Estadual, a maioria das áreas queimadas são de cultivo, especialmente de pasto e eucalipto. A baixa umidade relativa do ar e a vegetação seca, combinadas com focos de incêndio provocados pela ação humana acabam colaborando para que o fogo se alastre, segundo o capitão Rafael Marques, da coordenadoria da Defesa Civil de São Paulo.
“Incêndios em coberturas vegetais na região, sempre aconteceram. O problema é que dessa vez eles tomaram proporções muito grandes e acabaram atingindo uma área onde até então não havia incêndio, que foi o bosque em Águas da Prata e a Serra da Paulista”, explicou.
Ainda de acordo com a Defesa Civil, um incêndio grande ocorreu na tarde de terça-feira (15), em uma pastagem, com características que apontam para um foco provocado – ou seja, que não foi iniciado de forma espontânea.
“Nós tínhamos ali o que a gente chama linha de fogo, um traçado bem desenhado do fogo, no limite da pastagem. Isso é característica de mapeamento de fogo para limpeza de terreno. Logicamente, aquilo não fica restrito à pastagem, acaba avançando para área de preservação, de cultivo e a gente se depara com a situação que estamos vivendo hoje”, afirmou o capitão.
PANTANAL
Em meio às queimadas na região, o Brasil tem voltado sua atenção para a situação crítica em que se encontra o Pantanal. Nesta semana, a Polícia Federal iniciou uma operação em busca dos responsáveis pelo incêndio que destruiu cerca de 25 mil hectares de áreas de preservação ambiental. De acordo com a PF, a queimada não foi acidental. A suspeita é que o fogo tenha sido utilizado para remover a vegetação natural com o objetivo de transformar a área em pastagem para gado.
O delegado Alan Givigi, que coordena a operação, diz que imagens de satélite analisadas indicaram onde começaram as chamas. “As investigações indicam que o fogo tenha sido colocado para depois transformar em pastagem. Você extrai a mata nativa, e aí fica a pastagem para o gado”, disse.
Até o momento, a 1ª Vara Federal de Corumbá expediu dez mandados de busca e apreensão. De acordo com a PF, os suspeitos de colocar fogo na região poderão responder pelos crimes de dano a floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a unidades de conservação, incêndio e poluição (Art. 54, da Lei no 9.605/98), cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos de prisão.




