
Na sexta-feira (18) faleceu o professor Sebastião Álvaro Galdino, aos 71 anos, em Mogi das Cruzes (SP). Inicialmente, as informações davam conta de que ele havia sido vítima da Covid-19. No entanto, por volta das 20h30 de sexta, a filha dele publicou em uma rede social que foi constatado que o pai tinha um problema cardíaco e que a causa da morte foi um infarto.
Galdino foi sepultado no Cemitério Parque das Oliveiras, naquela cidade, durante à tarde. Ele deixou a esposa Roseli Pinto Galdino e os filhos Luana e José Renato.
Em São João, Galdino exerceu os cargos de diretor do Departamento de Esportes (de 2005 a 2012), de vereador (1993-1996) e de professor universitário.
HISTÓRIA NA GINÁSTICA
Nascido em São João, Galdino foi um dos responsáveis por implantar a ginástica artística no município, no início da década de 1980.
Com a reforma e adaptação do Centro de Integração Comunitária (CIC), o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho enviou à Câmara Municipal, em 2019, um projeto de lei para homenagear o ex-diretor.
Na ocasião, os vereadores aprovaram o documento para nomear o novo ginásio de ginástica artística de Sebastião Álvaro Galdino.

ESPORTIVA
Em nota, a Esportiva também lamentou, profundamente, o falecimento de Sebastião Álvaro Galdino, que foi atleta e professor do clube, e declarou luto oficial de três dias. Galdino deixou uma legião de alunos, amigos e colegas de trabalho.
Ele era formado em Educação Física pela Faculdade do Clube Náutico Mogiano e, em 1975, já era especialista em natação, pela mesma entidade. Em 1983, mais uma especialização: em Ciências do Esporte, pela Universidade de Mogi das Cruzes.
O mestrado veio em 2001, na Universidade Braz Cubas, quando dissertou sobre atividades multidisciplinares em Educação Física, sendo aprovado com louvor.
Além de ter sido técnico da Esportiva em natação, ginástica olímpica e yoga, nas três passagens que teve pelo clube, Galdino também treinou equipes de natação em Suzano (SP) e em Mogi das Cruzes (SP).
CURRÍCULO
Galdino tinha muito interesse por literatura e pelo estudo de idiomas. Falava, fluentemente, inglês, francês, espanhol e italiano, além de compreender bem o japonês, língua pela qual se afeiçoou ao estudar yoga e a cultura esportiva oriental.
Escreveu mais de 300 artigos na imprensa e teve três livros publicados: “Minha Natureza”, com poesias e reflexões, em 1998; “Pesquisas e Temáticas em Desenvolvimento Social”, de 2005, e “Pesquisas e Temáticas em Integração Regional”, ao lado da também professora de Educação Física Rita de Cássia Bonci Oliveira, em 2006.
A carreira acadêmica foi igualmente produtiva, com aulas no Colégio Santa Mônica (1973-1989), no Núcleo de Educação e Cultura (1981-1984) e com uma sequência ímpar em grandes instituições de Ensino Superior. Na Faculdade Educacional de Muzambinho, deu aulas entre 1984 e 1991, quando se transferiu para a Universidade de Mogi das Cruzes, ali permanecendo por um ano. Na Universidade Cruzeiro do Sul, lecionou entre 1996 e 1999.
Na Faculdade do Clube Náutico Mogiano teve quatro passagens como docente, entre 1972 e 2004, quando assumiu cadeira no UniFAE, onde foi professor por quase uma década.
PROFESSOR
O MUNICIPIO entrou em contato com o professor de Educação Física Júlio Meireles, ex-aluno de Galdino, no UniFAE.
“Galdino era a personificação da paz. Tive aulas de natação e ginástica artística com ele, duas modalidades que eu não tinha muito conhecimento sobre, mas que aprendi muito a respeito, graças a ele. Além disso, ele foi meu orientador de TCC [Trabalho de Conclusão de Curso]. Nos momentos em que eu achava que tudo daria errado e não conseguiria terminar, ele chegava, com a maior tranquilidade e paciência do mundo, e me mostrava como era possível. Chegou a me receber até na própria casa, sempre com uma boa prosa, grandes ensinamentos, acompanhado sempre de castanhas e limonada. Sem dúvidas, teve um papel fundamental na minha formação, não só profissional, mas como pessoal também.”
Júlio também recordou dos momentos curiosos que Galdino tinha em sala. “Ele sempre fazia piadas com o meu nome. Brincava que iria me promover para ‘Agosto’ ou até mesmo ‘Setembro’. Quem conheceu o Galdino sabe que era muito a cara dele esse tipo de brincadeira. Mas a lembrança mais marcante e que eu sempre levarei comigo é um termo japonês que ele sempre usava, o ‘kansha no kokoro’ que ele me ensinou que significa ‘coração de gratidão’ ou ‘coração grato’. E acredito que é como todos os que tiveram o privilégio de conhecer o mestre Sebastião Álvaro Galdino devem se sentir hoje: com o coração extremamente grato por ter tido a oportunidade de aprender tanta coisa com um ser humano tão incrível como foi o Galdino. Que ele possa seguir o seu caminho de luz, nos transmitindo sempre suas saudações energéticas”, finalizou.




