Polícia Civil investiga causa de incêndios em Águas da Prata e São João

Duas investigações estão em curso para apurar origem do fogo que atingiu Águas da Prata e São João da Boa Vista (Divulgação/Corpo de Bombeiros do estado de SP)

A Polícia Civil instaurou dois inquéritos para apurar as causas dos incêndios que atingiram o Parque Estadual, em Águas da Prata, e também a Serra da Paulista, em São João da Boa Vista. Conforme apurado pelo jornal O MUNICIPIO, as investigações estão transcorrendo paralelamente nas duas cidades.

Coordenando as investigações no território pratense, o delegado Luciano Pires Galetti explica que, na quinta-feira (2), surgiram os primeiros relatos de queimadas. Os casos começaram pela Fonte do Paiol e Fonte Platina, atingindo, posteriormente, a área do Parque Estadual – onde a situação ficou fora de controle, o que até levou a Prefeitura de Águas da Prata a registrar um boletim de ocorrência na delegacia.

Já na manhã do domingo (13), a equipe da Polícia Civil averiguou os locais atingidos pelas chamas, quando – por volta das 11h45 – tomou conhecimento de um novo foco de incêndio no Parque Estadual. Diante disso, Galetti destaca que as investigações prosseguem e, além da realização de exame pericial, serão ouvidos os representantes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e outros órgãos envolvidos nas ações anti-incêndio na região. O objetivo é reunir os elementos que ajudem na apuração dos fatos. “Ainda não dá para falar se é criminoso ou se é continuidade dos incêndios anteriores”, afirmou Galetti.

 

Águia: ação permanente de helicópteros no combate ao fogo (Divulgação/Nilton J. Queiroz)

Serra da Paulista

Liderando as investigações no território sanjoanense, o delegado Fabiano Antunes de Almeida relatou que ainda é muito cedo para apontar qual foi a causa do incêndio que atingiu a Serra da Paulista, porém, todas as hipóteses estão sendo investigadas. “O inquérito policial foi instaurado e estamos realizando oitivas de pessoas que possam nos ajudar a entender o que aconteceu e esclarecer como o fogo pode ter tido início”, comentou. “É muito prematuro ainda para fazer qualquer tipo de afirmação a respeito. Somente ao final do inquérito, na conclusão da investigação, com a realização de exames periciais, é que poderá ser definido como o fogo começou e se foi criminoso ou não”, complementou o delegado.

Almeida destaca que a apuração está no início e a Polícia Civil tem dedicado uma atenção especial ao caso. “A investigação é complexa e está sendo feita com todo o rigor”.

Novos incêndios

O fogo voltou a atingir o Parque Estadual de Águas da Prata no domingo (13), fazendo até com que quatro famílias fossem retiradas às pressas das moradias. O fato ocorreu um dia após o grande incêndio que atingia o município ter sido controlado.

Em entrevista à TV União, o capitão da Defesa Civil Estadual, Rafael Marques, contou que inicialmente havia sido detectado um pequeno foco em uma área situada mais ao alto do bosque e a equipe do helicóptero Águia passou a fazer às ações anti-incêndio. Contudo, algumas horas depois, outro foco – desta vez, bem maior – apareceu perto de residências, nas proximidades da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Segundo ele, isto causou bastante estranheza, uma vez que este local não havia sido atingido ainda e estava muito longe das áreas que haviam sido consumidas pelas chamas. “Era um local isolado, apartado de todo o resto”, disse.

De acordo com o capitão, o novo incêndio estava muito próximo de algumas casas, o que tornou necessário realizar a desocupação dos imóveis o mais rápido possível e ainda desligar toda a rede elétrica da região. Uma nova mobilização foi feita para conter o avanço das chamas, envolvendo integrantes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Prefeitura pratense e voluntários, além de contar com o apoio de três aviões e três helicópteros Águia. As prefeituras de São João, Vargem Grande do Sul e Poços de Caldas (MG) também se mobilizaram para ajudar a Estância Hidromineral e enviaram reforços.

Os trabalhos seguiram até a noite e somente na manhã de segunda-feira (14) que o incêndio foi controlado. Contudo, a área voltou a pegar fogo à noite, mobilizando novamente as equipes e causando temor entre os moradores das redondezas. Na terça-feira (15), as equipes se concentram em concluir a umidificação do terreno para evitar o ressurgimento de eventuais chamas. Ao todo, 78 pessoas trabalharam nesta fase final do combate, que contou com três caminhões-pipas e um helicóptero. Em nota, a Prefeitura de Águas da Prata pede que a população evite adentrar à mata nesse momento por questões de segurança.

Serra do Caracol

Um incêndio já destruiu mais de 460 mil m² na Serra do Caracol, em Andradas (MG). Os primeiros focos foram registrados no final de semana e se alastraram rapidamente. As equipes da Prefeitura andradense, Defesa Civil local e do Corpo de Bombeiros de Poços de Caldas trabalham na área atingida. O local em que as chamas estão concentradas é de difícil acesso devido à topografia, dificultando ainda mais o combate.

A Serra do Caracol é conhecida pelo Pico do Gavião e pela prática de esportes como vôo livre, treking, rappel, canyoning e camping. Por ela também passa um trecho do Caminho da Fé. Conforme apurado, a Prefeitura de Andradas tem combatido nas últimas semanas uma média de cinco incêndios por dia.

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