
Se por um lado, a onda de incêndios mostrou a fragilidade, por outro ela deixou em evidência a união e a solidariedade. Assim que as primeiras notícias ganharam destaque na mídia, muitas pessoas se prontificaram a cooperar com os bombeiros e brigadistas que estavam nas áreas atingidas.
Durante esses dias de trabalho, o número de pessoas que se dirigiu até os pontos atingidos em Águas da Prata e na Serra da Paulista foi grande. E cada um procurava ajudar da forma como podia. Além daqueles que auxiliaram nas ações anti-incêndio, outros se mobilizaram com caminhonetes para transportar as equipes até as áreas atingidas, sem contar as pessoas que levaram água, frutas e alimentos às equipes.
OPERAÇÃO
O governo de São Paulo montou uma operação especial para combate às chamas. Além dos 100 homens do Corpo de Bombeiros, a força-tarefa também conta com participação dos membros da Defesa Civil do Estado, Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal, Instituto Florestal, ICMBio, Defesa Civil dos municípios e funcionários das prefeituras, além de dezenas de brigadistas e voluntários. No total, cerca de 250 pessoas envolveram-se nos trabalhos.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros instalaram uma base operacional no Aeroporto sanjoanense para intensificar o trabalho aéreo. Durante toda a semana, quatro aeronaves realizaram ações de combate ao incêndio, sendo dois helicópteros Águia da Polícia Militar e dois aviões agrícolas disponibilizados pela iniciativa privada. Com o anúncio do governador, cinco aeronaves passaram a operar na ação.
EQUIPAMENTOS
Juntamente com o secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Walter Nyakas Junior, Doria fez o repasse de equipamentos destinados aos bombeiros que atuam na região, totalizando 80 abafadores, 60 bombas costais, 50 pares de luvas, 50 óculos de proteção, 25 facões, 20 cantis e 20 enxadões.
As equipes terrestres contam com dois pontos de apoio, instalados em Águas da Prata e Vargem Grande do Sul. As ações são realizadas com auxílio de 25 viaturas, entre veículos do Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e Defesa Civil, e de drones, que auxiliam nas coordenadas das equipes, por meio do monitoramento e identificação das áreas atingidas.
Hospital de campanha é criado para atender animais feridos

Para ajudar no resgate dos animais, o UniFEOB (Centro Universitário Octávio Bastos) montou um Ponto de Atendimento Veterinário no Sítio Ipê Amarelo, localizado no km 7,5 da estrada da Serra da Paulista, em São João.
A unidade está em funcionamento desde quarta-feira (9) e conta com três médicos veterinários da instituição para prestar primeiros-socorros às espécies que estiverem machucadas e desabrigadas.
Até o momento, o espaço já recebeu um bezerro, dois tatus-peba, dois filhotes de tatu-bola – todos órfãos –, além de uma cobra-de-vidro, diversos tipos de lagartos e serpentes.
“Quem encontrar algum animal com queimaduras ou ferido de qualquer maneira na região da Serra da Paulista, pode trazer aqui primeiro”, afirmou a médica veterinária Juliana Bonfante, responsável pelo Ponto de Atendimento.
Se necessário, após os primeiros cuidados, os animais são enviados para o Hospital Veterinário no campus Mantiqueira do UniFEOB, que funciona normalmente, onde é realizado o tratamento completo.
No momento, não são necessárias doações de qualquer tipo; elas devem ser encaminhadas para os voluntários no ponto de arrecadação na Estação das Artes de São João da Boa Vista (Largo da Estação, 41 – Praça Rui Barbosa), no bairro Rosário.

EQUIPES DE BUSCA
Lideradas pelo médico veterinário Plínio Aiub, docente do UniFEOB, equipes de busca formadas por voluntários procuram animais feridos que tenham se escondido das chamas para sobreviver.
Os integrantes são profissionais ou estudantes das áreas de Biologia e Medicina Veterinária e recebem todo o equipamento de segurança e aparatos ideais para a tarefa.
“Nós temos um forte cunho ambiental na universidade, principalmente nas partes de Biologia e Veterinária, e vem crescendo cada vez mais o engajamento dessas pessoas, principalmente por parte dos alunos, na questão ambiental”, contou o professor Plínio Aiub.
“Eu vejo com muito bons olhos o Ponto de Atendimento. Está à disposição da população, o UniFEOB rapidamente se incorpora na causa porque é a que mais tem capacidade para ajudar”, comentou.




