SOS Cinemateca: ‘Genocídio Cultural’ repercute entre adeptos da área

SOS Cinemateca: manifestantes já demonstram indignação há meses (Reprodução/Jornalistas Livres)

No início desta semana, a Folha Ilustrada trouxe matéria em que Paloma Rocha, diretora de cinema e filha do cineasta Glauber Rocha, referiu-se ao impasse jurídico que ameaça o acervo da Cinemateca Brasileira como sendo um ‘genocídio nacional’.

Um dos principais acervos audiovisuais da América Latina, a Cinemateca está há meses sem receber repasses financeiros do governo.

Fernanda Valim, empresária e graduada em Cinema pela FAAP, trabalhou na Cinemateca, de 2002 a 2012, nos setores de catalogação e preservação, e confirma que trata-se do maior arquivo de filmes do Brasil, talvez o segundo maior da América Latina.

“Em termos de estrutura, a Cinemateca Brasileira é o arquivo de filmes que tem as melhores condições aqui no Brasil – pelo menos quando trabalhei lá, tínhamos arquivos climatizados, conseguia-se separar os filmes por grau de deterioração, por tipo de suporte. Os rolos em nitrato, por exemplo, que podem entrar em combustão espontânea, ficavam em depósitos separados do restante”, recordou Fernanda.

Na visão dela, mesmo diante de todas as dificuldades financeiras por que a Cinemateca passou, ao longo da história, ela superou a todas, e hoje é capaz de armazenar a história do cinema nacional da melhor maneira possível, coisa que outros locais nem sempre possibilitam, por questões de infraestrutura.

“Outro aspecto é a mão de obra porque formar uma equipe para lidar com a preservação audiovisual leva tempo e não existem cursos para isso. Em suma, transferir ou desmembrar o acervo da Cinemateca acaba sendo prejudicial, sim, para a Cultura. É uma situação muito delicada e, se a Cinemateca realmente fechar ou transferir o acervo, será uma grande perda para as gerações futuras, porque grande parte da nossa história está lá”, concluiu a empresária.

David Ribeiro, responsável pelo Pontos MIS em São João e colega de Fernanda, completa que essas mudanças desconfigurariam a Cinemateca, transformando-a em ‘outra coisa’.

“Até agora, foi um órgão cultural de extrema importância para a história do cinema e para a memória deste. Inclusive do nosso cinema sanjoanense, porque o João Negrinho tem cópia lá, e restaurado. E a gente já sabe a batalha que é com orçamento, com as dificuldades governamentais que temos, relacionadas à Cultura. Com essas mudanças todas, eu vejo que a Cinemateca está se desconfigurando, se tornando outra coisa e tenho bastante dúvida se ela vai continuar com essa função de proteger, de restaurar a memória do nosso cinema. Eu fico preocupado com isso”, finalizou Ribeiro.

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