Saúde alerta setores de alimentação a focarem no serviço e não no lazer

Debate: gerente da ACE mediou live com a diretora de Saúde (ao centro) e a enfermeira-chefe (Reprodução/ACE)

A diretora do Departamento Municipal de Saúde, Heloísa Trafani, e Ludimila Barros Zan, enfermeira-chefe da Vigilância Epidemiológica, setor subordinado à Pasta, alertaram que bares, restaurantes e similares precisam cumprir as recomendações e ter o foco voltado na alimentação como serviço e não lazer. Os segmentos reabriram após São João e região avançarem à fase amarela do Plano São Paulo.

O alerta foi um dos assuntos principais tratados durante uma live promovida pelo Conselho da Mulher Empreendedora da Associação Comercial e Empresarial (ACE), na tarde de quarta-feira (20). A transmissão focou a situação da pandemia na cidade e integrou a campanha de conscientização de comerciantes e população sobre os cuidados sanitários de prevenção à Covid-19.

Sem citar nomes, a diretora Heloisa revela que observou alguns estabelecimentos descumprindo as normas no final de semana, enquanto outros atuaram de acordo com os protocolos.

“[…] É muito importante [seguir os protocolos] para que não haja uma retração [regressão] e a gente tenha que fechar tudo novamente. Mas as mesas [de bares e de restaurantes] estavam muito próximas, não estavam mantendo o distanciamento de pelo menos 1,5 metro; tinha padaria que nem retirou as mesas para ficar espaço maior. Então, tudo isso nos preocupa muito, porque a gente sabe da dificuldade de ter passado todo esse tempo fechado […]. Mas o que observei é que nem todo mundo estava cumprindo as regras e isso é sim perigoso, pode fazer que a gente descumpra o que está [previsto] no Plano São Paulo e que sejamos obrigados a dar um passo atrás. Isso é muito preocupante”, alertou a titular de Saúde.

Ao mesmo tempo, Ludimila completou sobre o setor de alimentação ter sido o último dessa fase de reabertura, por conta do risco que é inerente à atividade, da alimentação e da proximidade entre as pessoas. “Só de sentar juntos à mesa já tem o risco de transmissão, porque ao comer a gente retira a máscara. O que precisa ficar claro é que, para que esse setor continue funcionando, tenha a mesma chance de poder continuar seu trabalho – que a gente entende com extremamente importante para a economia -, essas pessoas [empresários] tenham em mente que a esse setor foi permitida a reabertura somente durante o dia. […] É para entender a alimentação como um serviço e não, nesse momento, como um lazer. […] aconteceram alguns deslizes nesse sentido”, enfatizou.

Segundo ela, o momento ainda é de cautela e espera que os donos de estabelecimentos sigam as recomendações para que possam se manter em funcionamento. “Se tivermos um avanço no número de casos, de óbitos – que inclusive não queremos que isso aconteça -, ou os hospitais sobrecarregarem demais a quantidade de leitos, de pessoas internadas, vamos ser obrigados a retroceder e não é isso que esperamos”, disse Ludimila.

SELFIE-SERVICE
Heloisa ainda destacou o segmento alimentício que trabalha com selfie-service. “Precisam ser criadas ferramentas de proteção. A gente pesquisou em alguns lugares, que existe aquela tela acrílica, onde vai ter o profissional do outro lado e que vai servir o prato; porque vão ter que se reinventar [setores]. A manipulação dos talheres por todo mundo é muito complicado e, por mais que a pessoa higienize as mãos, de repente ela pode carregar alguma coisa na sua vestimenta. Então, imagino que essa proteção seria uma das soluções. E o profissional que está servindo os pratos precisa ser cuidado, monitorado, estar bem e sem nenhum sintoma […]”, afirmou a diretora.

OUTROS PONTOS
Entre os pontos discutidos, destaque também para os protocolos de prevenção à Covid-19: uso de máscaras, álcool gel a 70%, higienização constante das mãos, distanciamento social, entre outros.

“Falamos sobre o estado atual da pandemia da Covid-19 em São João, sobre prevenção e também sobre o trabalho desenvolvido pelos departamentos locais de Saúde e Epidemiologia. Foi uma conversa muito esclarecedora e com a participação de muitas pessoas que enviaram dúvidas pertinentes. Acreditamos que a informação e conscientização é a melhor forma para que todos colaborem e ajudem minimizar os efeitos da pandemia em nossa cidade”, afirmou o gerente da ACE, Raphael de Padua Medeiros.

E no mesmo contexto abriu-se espaço para tratar da edição 2020 do festival gastronômico São João da Boa Mesa que, de setembro a outubro, terá novo formato – 100% delivery – e contará com mais de 40 empresas participantes.

“Orientamos os empresários a agirem de que forma: orientar seu entregador sobre a higienização de sua mochila; das mãos, ao tocar na comida [recipiente] para poder entregar ao consumidor; da maquininha de cartão… então, a gente sempre busca pontuar para o empresário as especificidades do comércio em geral, varejista, […] porque eles têm umas responsabilidades maiores”, completou o gerente.

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