
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) entrou em greve por todo o País na segunda-feira (17). Segundo a entidade, ainda não tem prazo para o encerramento da paralisação na estatal.
O MUNICIPIO entrevistou um agente dos Correios de São João da Boa Vista que preferiu anonimato. Segundo ele, na cidade, a estatal tem 51% dos trabalhadores em greve, mas vários estão afastados e em grupo de risco, dando um total de 82% dos funcionários parados.
Em São João, os Correios têm um total de 32 funcionários. Quinze estão em greve, seis são do grupo de risco, quatro afastados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dois de férias e apenas cinco funcionários estão trabalhando. Dos que estão na ativa, o funcionamento é só atendimento ao público, e limitado, pela dificuldade de encontrar encomendas.
A recomendação dos funcionários é que a população tenha paciência e entenda a dificuldade de encontrar os pedidos na hora do atendimento.
AUMENTO DE 150%
Devido à pandemia de coronavírus, o aumento de compras pela internet foi muito grande, já que muitas lojas físicas ficaram fechadas. Teve um aumento de 150% no volume das encomendas em São João, o que dificultou para os funcionários.
Segundo o agente dos Correios, nos primeiros meses a empresa já sabia sobre esse crescimento e nada fez para resolver a situação, utilizando os funcionários de veículos, por exemplo, para trabalhar dez horas por dia.
Ele disse também que as reclamações dos cidadãos sanjoanenses também aumentaram. O principal motivo, é que desde 2011 a empresa não contratou nenhum funcionário a mais. Para piorar, muitos se aposentaram, mostrando um descaso total da empresa em respeito à população.
ENTENDA O CASO
Os grevistas são contra a privatização dos Correios, reclamam do que chamam de ‘negligência com a saúde dos trabalhadores’ e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.
A entidade afirma que desde julho os sindicatos tentam dialogar com a direção da entidade sobre estes pedidos, algo que ainda não aconteceu. Eles alegam que, em agosto, foram surpreendidos com a revogação do atual ‘Acordo Coletivo’ que estaria em vigência até 2021.
De acordo com texto publicado no site da federação, “Foram retiradas 70 cláusulas com direitos como 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte, auxílio creche, indenização de morte, auxílio para filhos com necessidades especiais, pagamento de adicional noturno e horas extras”.
Outro motivo da greve, segundo a federação, é a possível privatização dos Correios e o ‘aumento da participação dos trabalhadores no Plano de Saúde, gerando grande evasão, e o descaso e negligência com a saúde e vida dos ecetistas na pandemia da Covid-19’.




