
Wágner Luís Silvério, 34, é morador da Vila Gomes, em São João. Ele é auxiliar de serviços gerais; trabalha como servente, com pintura e, principalmente, como catador de material reciclável.
Sem acesso à internet, Wágner encontrou dificuldades para se cadastrar e receber o auxílio emergencial, uma medida criada pelo governo federal para ajudar a população no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
“Com a ajuda de uns amigos, consegui me cadastrar para receber o auxílio [emergencial], mas eu não conseguia receber, ficava sempre ‘em análise’. Fui me informar na Caixa [Econômica Federal] e constava que tinha uma declaração de R$ 28 mil no meu nome e não faço ideia de como isso foi parar lá”, contou decepcionado o catador de material reciclável, que está sem ter carteira assinada desde 2008.
Wágner não desistiu, foi à Delegacia registrar um boletim de ocorrência, mas também não puderam ajudá-lo.
“Eu fui atrás, mas tanto na Caixa quanto na Delegacia me disseram que eu só podia resolver a situação na Receita Federal. Como tenho de pagar aluguel e as contas da casa, deixei isso de lado e voltei ao trabalho”, lamentou.
DIFICULDADES
O setor de materiais recicláveis diminuiu bastante devido ao isolamento social, já que os bares e restaurantes ficaram fechados por um bom tempo na cidade.
“Durante a quarentena nossa situação ficou terrível, porque nós, catadores de São João, dependemos dos materiais recicláveis e toda população acabou parando. Aí ficou ruim, os materiais começaram a diminuir, as lojas não abriam mais. Mas aos poucos as coisas estão melhorando”, contou o trabalhador, que chegou a ficar dois meses sem pagar o aluguel por não ter dinheiro.
Outra impugnação de Wágner foi das dores que sente devido ao peso do carrinho que carrega diariamente.
“Eu já estava ficando sem energia, mas tinha que andar mais para encontrar materiais e cheguei a inflamar o nervo ciático. Estava chorando de dor, passei duas vezes na UPA e não resolviam o problema com injeção. Agradeço muito a Carolina, que tem uma loja no Centro e me ajudou comprando um antibiótico. Graças a Deus consegui me recuperar”, disse.
Como a pandemia de coronavírus teve um efeito devastador para os catadores, Wágner depende muito da ajuda das pessoas par sobreviver, seja com dinheiro, roupa ou alimento.
“Eu fico muito contente com a ajuda que recebo dos amigos, pois eu faço um trabalho honesto e digno, sempre que me ajudam eu fico feliz”, concluiu.




