
A música é uma manifestação artística que faz parte da vida desde os primórdios da sociedade e, em alguns períodos, foi além da arte, tornando-se por si mesma, um instrumento para registrar – e até alterar – acontecimentos difíceis.
Quem não se lembra de Geraldo Vandré entoando ‘Para não dizer que não falei de flores’, ou de John Lennon, com seu mundo ideal em ‘Imagine’?
Poucos, talvez saibam, mas ‘Over the rainbow’, composta por Harold Arlen, em 1939, e que ganhou projeção com o filme ‘O mágico de Oz’, auxiliou tropas americanas, durante a Segunda Guerra – o show foi gravado e enviado para soldados, para que tivessem a esperança de dias melhores.
Reginaldo Colombo, baterista da banda Rotor Sonoro, lembra que grandes Festivais existiram ao longo dos tempos para ajudar as pessoas a enfrentarem dificuldades.
“Há o Live Aid, por exemplo, que foi para arrecadar fundos contra a fome da Etiópia, e define a data do Dia Mundial do Rock, celebrado no dia 13 de julho [segunda]. E o Festival de Woodstock, em que as pessoas protestaram contra a Guerra do Vietnã. Aqui no Brasil, tinha os grandes Festivais de Música contra a ditadura militar, no qual se destacaram Geraldo Vandré, Raul Seixas, Zé Geraldo… então a música sempre esteve presente e sempre estará”, disse Colombo.
Para Vanessa Hanhela, coordenadora da Orquestra Vereda Cultural, a música contribui, sim, para superar situações e fases ruins. “Estudos comprovam que ouvir música pode fisiologicamente reduzir o estresse e até diminuir sintomas de depressão, ou seja, ela vem como um remédio emocional para superar desafios. Na ótica individual, ouvir música contribui com o bem-estar, e na coletiva, além de trazer entretenimento, muitas vezes, são ferramentas de registros históricos que a sociedade viveu”, destacou Vanessa.
Quem concorda com ela é a pianista sanjoanense e professora de piano Christiane Caslini, que aliás, tem a música em seu DNA – seu pai, Emílio Caslini, era violinista e compositor.
“A música tem o poder de envolver a alma do ser humano e elevar o pensamento a uma dimensão superior, onde o otimismo está mais presente. Por isso, quando ouvimos uma música e essa, de alguma forma, esteve envolvida em algum fato do passado, as recordações voltam e nos enchem de alegria e esperança. E é por isso que várias músicas da época da ditadura militar até hoje, mais de 50 anos depois, são lembradas como hinos de exaltação à liberdade, assim como as músicas desse período de quarentena vão ser lembradas no futuro como momentos de reflexão e mudanças para um mundo melhor”, finalizou Christiane.




