Músicos locais lembram legado de Cazuza, ‘O Poeta do Rock’

Há 30 anos: Cazuza partiu cedo, mas o legado dele ainda vive (Reprodução/Internet)

Na última terça-feira (7), completaram-se 30 anos da morte de Cazuza – ou ‘O Poeta do Rock’, como alguns sempre se referiram a ele.

Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, iniciou a carreira como vocalista da banda de Pop Rock ‘Barão Vermelho’ e influenciou inúmeras gerações, seja pela coragem de escrever sobre o que pensava, sem receio da opinião alheia – daí suas letras permanecerem atuais e atemporais -, seja pelo romantismo, que também está presente nas obras dele.

Certa vez, em entrevista a uma emissora, Cazuza confessou que compunha, quase sempre, de madrugada e, algumas vezes, após sonhar com algo enquanto dormia. Já de manhã, pegava os rascunhos para ‘musicar’ e um exemplo disso é a frase inicial de ‘Um trem para as estrelas’, que diz: “São sete horas da manhã/ Vejo Cristo da janela/ O sol já acendeu sua luz/ E o povo lá embaixo espera/ Nas filas dos pontos de ônibus/ Procurando aonde ir…”

O músico sanjoanense Paulinho Sguassábia é um dos fãs que inclui as músicas de Cazuza no próprio repertório, desde que ele ainda era vivo, pois se identifica com as letras e estilo de rock.

“Até hoje, nos meus shows, eu toco pelo menos dez músicas de Cazuza. Segundo a mãe dele, Lucinha Araújo, ele teve duas fases – antes da doença, quando falava muito de amor, e um exemplo é ‘O nosso amor a gente inventa’, ‘Faz parte do meu show’, uma fase que ele escrevia mais sobre amor e sempre com muita poesia. E depois veio a fase da doença, e ele começou a escrever sobre o país. Foi quando ele admitiu ser ‘Exagerado’, por isso é que contraiu Aids, que ele é exagerado em tudo. Ou falando ‘Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga para a gente ficar assim’”, justificou Sguassábia.

O músico destaca que as duas músicas de Cazuza que não podem faltar nas apresentações dele são ‘O tempo não para’ e ‘Ideologia’.

“Essas são as músicas que eu acho que definem o que ele estava vivendo na época. ‘O tempo não para’ porque, na época, Cazuza sabia que ía morrer; e ‘Ideologia’, quando ele diz ‘Eu vou pagar a conta do analista/ para nunca mais ter que saber quem eu sou’. É ‘Ideologia’ que eu considero a melhor música do Cazuza”, enfatizou Sguassábia.

Outra cantora e compositora que canta e é fã de Cazuza é Walgra Maria, que revela que a preferida dela é ‘Codinome Beija-Flor’.

“Ele revolucionou o Rock Brasileiro com suas músicas e seu estilo tão próprio. Músicas com letras inteligentes, ricas em conteúdo e divertidas, além de excelente melodista. Até hoje, Cazuza influencia tantos jovens, que veem nele uma inspiração”, concluiu Walgra Maria, que inclusive no show do Centenário de O MUNICIPIO, cantou ‘Brasil’, sendo bastante aplaudida.

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