Empresárias apostam na internet para driblar a crise

Virtual: sistema online tem atraído mais consumidores após a migração de alguns segmentos (Reprodução/Internet)

Desde o início da pandemia de Covid-19, o setor de comércio varejista tem enfrentado o maior desafio desde a grave crise econômica dos anos 80. Para se ter ideia do tamanho desse impacto, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), teve, em junho, a pior queda da série histórica – 14,4% em relação a maio e recuo de 24,1% contra junho de 2019, caindo para 69,3 pontos.

ECONOMIA EM QUEDA
As incertezas sobre o futuro têm feito muitos brasileiros revisarem as necessidades de consumo. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 77% de brasileiros decidiram reduzir o volume de compras durante a pandemia.

“De cada quatro brasileiros, três disseram que reduziram seus gastos após o início das medidas de isolamento social. Essa redução é considerada grande para 40% e média para 45%. Dentre quem reduziu seus gastos, 42% justificam pela insegurança quanto ao futuro, 30% por ter perdido ao menos parte da renda e 26% devido ao isolamento em si”, aponta a pesquisa.

E os setores atingidos mais negativamente pela redução do consumo são os de calçados (-40%), roupas (-37%), cosméticos (-32%) e móveis (-31%). Por isso, empresários desses segmentos vêm sendo obrigados a se reinventarem.

REINVENÇÃO
No começo da crise até agora, muitas empresas destes segmentos migraram para a venda de produtos pelo sistema online – seja por meio de e-commerce, redes sociais ou até mesmo pelo WhatsApp. Mas o prolongamento da crise está forçando que estes mesmos setores inovem ainda mais, promovendo promoções e ações com foco exclusivo nas redes sociais.

É o caso da empresária Priscila Vidal, que trabalha com o ramo de chinelos e acessórios. “Desde o início da pandemia estamos sendo obrigados a rever toda a forma que trabalhamos. Nosso foco foi atender os clientes através do WhatsApp e, mesmo com a liberação de funcionamento, optamos por continuar com o acesso limitado, realizando apenas entregas por delivery”, explicou.

Mesmo assim, Priscila afirma que não sentiu tanto os efeitos econômicos da pandemia na empresa: “Nossos produtos são de valores mais baixos, o que permitiu que não sentíssemos tanto a queda de renda do consumidor. Além disso, também realizamos diversas promoções a ações online, oferecendo promoções e descontos, para quem realizassem doação de alimentos”.

Nessa ação, a loja dela ofereceu descontos de até 50% para clientes que realizassem doação de alimentos. Com a promoção, já arrecadou 150 kg de alimentos que foram direcionados a entidades assistenciais.

Priscila, que também é mãe de uma criança em idade escolar, explicou que a venda online também é uma ferramenta que encontrou para conciliar os negócios e a necessidade de cuidar do filho, que está sem aulas por conta da pandemia. “Felizmente eu tenho essa possibilidade, mas centenas de outras mulheres não a possuem, infelizmente”.

SOMENTE ONLINE
Assim como Priscila, a empresária Eloise Zanette também tem focado todas as ações no meio digital. “Somos uma empresa de pequeno porte e, pela primeira vez, estamos realizando uma promoção que acontece apenas online, em nosso website”, explicou a empresária, que também optou por manter a loja fechada e tem focado todas as iniciativas em ações de delivery e venda online.

Proprietária de uma loja que trabalha com roupas e acessórios, Eloise conta que sempre foi cética quanto à viabilidade de uma ação dessas, por parte de uma loja pequena, mas garante que os resultados obtidos têm sido uma surpresa. “Acho que todo o empresário de pequeno porte tem receios se pode obter resultados com a internet. Para nós, na verdade, foi um resultado surpreendente. A liquidação que realizamos por meio do nosso e-commerce tem obtido resultados muito próximos do que teríamos com a venda presencial”, disse.

Ela relata que, no momento, não tem previsão de retomar a venda presencial, mas que continuará a focar as ‘energias’ no online. “Hoje, para nós não há essa viabilidade. Enquanto nossas funcionárias não puderem ter formas de deixar seus filhos em segurança, sem ser com pais ou outros familiares de grupos de risco, não vamos pensar nisso. Preferimos continuar focando nas vendas online para cuidar do nosso pessoal”, finalizou.

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