Comerciantes amargam prejuízo após decreto revogado

Prejudicada: Rita Zazino diz que “foi como uma bomba” quando recebeu a notícia da revogação (Divulgação/Hediene Zara)

Com a revogação do Decreto Municipal que antecipava o funcionamento, com restrições, de restaurantes, bares e lanchonetes, os comerciantes lidam agora com um novo problema: o prejuízo. Muitos deles realizaram encomendas, repuseram o estoque e iniciaram uma série de adaptações nos estabelecimentos para poder receber o público. Com a reviravolta, agora eles procuram alternativas para tentar contornar mais esta dificuldade e conseguir pagar funcionários e fornecedores.

Desde que iniciou a pandemia, em março, a comerciante Rita de Cássia Martins Zazino, responsável pela Cantina Samburá, na Sociedade Esportiva Sanjoanense, teve que mudar radicalmente o modelo de negócio e partir para o serviço delivery.

“Como trabalhamos na área de alimentação, tudo o que era comestível fomos descartando, utilizando e levando para casa, com o intuito de desfazer do estoque que tínhamos e não perder os alimentos”, contou. “Muitas bebidas, nós vendemos abaixo do preço de custo”, exemplificou a comerciante.

Com o anúncio da reabertura, ela teve que repor a lanchonete. “Quando fiquei sabendo, eu comecei a reabastecer com bebidas e a comprar produtos alimentícios”, comentou. “Eu tinha que ter tudo o que consta no cardápio”.

No entanto, os planos da comerciante foram frustrados horas depois, com a notícia da revogação de decreto pela Prefeitura. “Foi como uma bomba. E aí, quem vai pagar as minhas faturas? Ninguém dá prazo de 30 dias. Ninguém vai dar prazo para esperar quando sair novamente a ‘lei’. […] Da mesma forma como seguimos todas as regras que foram impostas por causa da pandemia, acho que a Prefeitura tem que ter uma responsabilidade muito grande quando for noticiar alguma coisa. Agora ‘interpretou errado’? Como? Não tem alguém que possa interpretar isso de forma correta?”, questionou a comerciante. “Quem está sendo prejudicado com tudo isso somos nós, que temos que pagar os funcionários. Você vai buscar uma linha de crédito para pequenos empresários e não consegue. E os funcionários têm que receber, pois têm seus compromissos”, completou.

Preocupada com a situação, Rita relatou que estava trabalhando no delivery com uma quantidade mínima de itens para não ter perda. “O que adiantou com tudo isso? Eu não perdi no delivery e agora vou ter que perder, porque de onde vou tirar dinheiro para poder pagar os funcionários e as mercadorias que chegaram?”, lamentou.

Desabafo

Em meio a toda esta situação, o empresário Marcos Perinoto, responsável pelo Rancho do Dilino, fez um desabafo nas redes sociais. Em uma mensagem de áudio compartilhada no aplicativo WhatsApp, ele manifestou descontentamento em relação a estas determinações repentinas da administração municipal. “Nunca me senti tão mal assim na minha vida”, declarou.

Em entrevista ao jornal O MUNICIPIO, o comerciante explicou a situação dele. “Estamos numa ansiedade terrível para poder abrir e poder trabalhar, para pagar as contas. […] As contas vêm, os fornecedores estão cobrando”.

Marcos conta que, assim que tomou conhecimento da liberação gradual, teve que fazer uma série de investimentos, além de comprar carnes e legumes para abastecer a geladeira, bem como as bebidas. Foram mais de R$ 3.000 gastos em melhorias e em mercadorias.

Após passar o dia todo adaptando o restaurante para iniciar o atendimento, o empresário foi surpreendido com a revogação do decreto. “Fiquei muito chateado”, recordou. “E aí? Como faz? Não posso gastar um dinheiro desses nesse momento! Já está dando o que fazer para pagar os empregados. Tem partes de salários que não consegui pagar neste mês ainda!”, argumentou o proprietário.

Conversa com o prefeito

Bastante nervoso, Marcos gravou a mensagem de desabafo, que rapidamente viralizou. Ao tomar conhecimento do conteúdo, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) entrou em contato para conversar sobre a situação. Posteriormente, o empresário esteve na Prefeitura e conversou pessoalmente com o chefe do Poder Executivo. “Tivemos atenção total da Prefeitura. Ele disse que irá lutar por nós e fazer de tudo para podermos a voltar às atividades”, concluiu o comerciante.

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