Cerco aperta contra festas clandestinas

Desrespeito: mesmo com a pandemia da Covid-19, bares ignoraram regras e clientes se aglomeraram no primeiro dia de reabertura no Rio de Janeiro (RJ) (Reprodução/Internet)

A realização de confraternizações e até mesmo uma live tiveram uma grande repercussão nas redes sociais ao longo da semana. O caso veio à tona em grupos de discussão no Facebook e até mesmo algumas pessoas entraram em contato com o jornal O MUNICIPIO para expressar indignação em relação aos fatos, uma vez que o País enfrenta a pandemia do novo coronavírus.

Segundo os relatos, alguns universitários de um curso na área da saúde teriam participado de uma suposta confraternização em um bar localizado na região central da cidade. A festa teria ocorrido na noite de sexta-feira (26). Para não ter problemas com a fiscalização, os participantes teriam evitado compartilhar fotos nas redes sociais ou postado somente no Instagram por meio do recurso ‘Amigos Próximos’, o qual permite aos usuários compartilhar stories somente com um pequeno grupo de pessoas.

Procurada pelo jornal, a direção do estabelecimento negou o fato. De acordo com um dos responsáveis pelo local, estas informações não procedem, uma vez que não houve nenhum evento ou confraternização no bar.

 

ESTUDANTES

Em contato com o jornal, uma estudante – que faz parte do curso na área da saúde e pertence à comissão de formatura – declarou que a turma dela não organizou nenhum evento. Ela explicou que também soube dos rumores por meio das redes sociais e garantiu que, se houve essa suposta confraternização, não tem relação alguma com a turma da faculdade.

Além disso, a jovem afirmou que grande maioria dos universitários está com medo de pegar o vírus e não conseguir terminar o curso no segundo semestre – uma vez que qualquer sintoma gripal pode acarretar no afastamento do aluno por até 21 dias [se necessário], prolongando ainda mais a conclusão dos estudos.

Como alguns bares e restaurantes estão realizando lives neste período de pandemia, ela é categórica em dizer que, se algum universitário participou de algum evento deste tipo, isto não representa a postura e o comportamento da classe dela, a qual tem zelado pelas normas de saúde vigentes, portanto, não se deve generalizar.

 

LIVE

No domingo (28), a realização de uma live com um cantor local – e no mesmo estabelecimento da suposta confraternização – causou polêmica. De acordo com moradores das imediações do bar, o evento teria gerado aglomeração. O fato também foi negado pela direção do local, que alegou que a transmissão contou com a presença somente do cantor e seus músicos, alguns técnicos e familiares, além da equipe do bar, sem a formação de aglomeração.

 

RIGOR E COMPLACÊNCIA

No entanto, as reclamações de desrespeito ao decreto municipal não se limitam aos estabelecimentos da região central. Em outros bairros, este problema pode ser notado em plena luz do dia, uma vez que há relatos de estabelecimento abertos e atendendo o público normalmente nas mesas. Tudo isso tem chamado atenção de muitos comerciantes e gerado questionamentos em relação à eficácia da fiscalização feita pela Prefeitura de São João, a qual se mostraria rigorosa com alguns estabelecimentos e complacente com outros.

 

FISCALIZAÇÃO

Procurada pelo jornal, a administração municipal relatou que não houve nenhuma denúncia sobre a suposta confraternização e nem mesmo da live realizada no bar. “Não houve conhecimento do evento no referido bar, por parte da fiscalização, nem mesmo recebida denuncia a tempo de constatar tais fatos”, informou o Departamento de Engenharia, responsável pela fiscalização. “Se teve, foi clandestina, sem autorização. Os fiscais irão averiguar e o responsável pelo estabelecimento será notificado”, frisou o órgão.

 

COMO DENUNCIAR

Em tempos de fake news se proliferando pelas redes sociais, denunciar de forma correta e com informações consistentes é fundamental para que a fiscalização possa tomar as devidas providências com o estabelecimento e responsáveis por ele. Diante disso, a orientação da prefeitura é que as denúncias sejam realizadas diretamente à Polícia Militar (190) ou à Ouvidoria Municipal, pelo telefone 0800-7730156.

 

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