
Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes anunciou, em 19 de maio, que o governo federal daria início a uma segunda rodada de testes – na rota de combate ao novo coronavírus – com o medicamento utilizado como vermífugo e vendido no Brasil sob a marca ‘Annita’ – o qual o ministro considera promissor no combate à Covid-19.
Trata-se da nitazoxanida, medicamento que ganhou destaque ao ser mencionado por Pontes, em abril, e que, num primeiro momento, levou 500 pessoas a se submeterem a um ensaio clínico com o medicamento. Agora, um segundo protocolo espera o mesmo número de participantes.
Para esclarecer sobre a possível eficácia deste medicamento, entre outros detalhes, a reportagem do O MUNICIPIO ouviu o médico Sigisfredo Luís Brenelli, que atua com Medicina Interna e é professor do curso de Medicina do UniFAE, além de coordenador do internato na Santa Casa Dona Carolina Malheiros.
“Como foi bem dito, o uso da nitazonaxida para o tratamento do Covid-19 é extremamente experimental, com pouquíssimos estudos em andamento, com pequeno número de usuários, ainda sem nenhuma comprovação científica. Portanto, não indicado nos protocolos de tratamento desse vírus que tanto tem acometido nossas vidas”, disse.

Brenelli também cita que alguns estudos internacionais mostraram resultado in vitro em outros vírus contra os quais se tem estudado a ação dessa droga.
“Tal ideia surgiu do fato de que o medicamento, desenvolvido para matar protozoários intestinais, tem alguma ação contra bactérias e contra dois vírus intestinais – orotavirus e o norovírus -, responsáveis por surtos de diarreia. Importante é salientar que são estudos preliminares, que não justificam mais essa ‘arma’ terapêutica e, por se tratar de um patógeno novo, com características devastadoras, toda a comunidade científica mundial tem estado envolvida no conhecimento dessa nova afecção, que nos tem trazido mais dúvidas que certezas”, advertiu o médico.
Brenelli completa que ainda serão necessários alguns meses e muita pesquisa até se atingir o real entendimento e o tratamento adequado. “Por enquanto, o isolamento social e os cuidados de higiene são as únicas armas efetivas nesse combate, com especial atenção ao nosso município que enfrenta nesses dias o pico da doença e que, seguindo o proposto, vive agora a sua interiorização”, lembrou.
Ele também considera um bom sinal, o de que o Ministério da Ciência e Tecnologia está empenhado na busca de soluções para o Covid-19. “Esperamos também que o nosso Ministério da Saúde, que deveria ser o grande articulador de políticas sanitárias em tempo de pandemia, também se envolva na busca científica de soluções, para que menos brasileiros percam suas vidas”, finalizou.
Universidade de Oxford recruta candidatos brasileiros para testes
A partir deste mês, a Universidade de Oxford irá contar com 2.000 brasileiros voluntários para o teste de vacina desenvolvida contra a Covid-19.
A aplicação destas, no Brasil, tem início em junho, por considerar que é o mês do epicentro da pandemia, e faz parte de um plano de desenvolvimento global.
No caso, o Brasil será o primeiro país fora do Reino Unido (sede da Universidade de Oxford) a testar a eficácia da imunização contra o Sars-Cov-2.
Os testes serão realizados em São Paulo, onde 1.000 voluntários serão submetidos a eles, com o respaldo do Centro de Referência para Imunológicos Especiais (Crie) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e no Rio de Janeiro, em outros 1.000 voluntários, pela Rede D’Or São Luiz, com custo de cerca de R$ 5 milhões, bancados pela Rede e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.
Se esses testes são mesmo eficazes, a cientista brasileira Daniela Ferreira, que participa do projeto, declarou em entrevista exclusiva ao G1, que há um dilema da prova de eficácia – pois os responsáveis pela pesquisa em Oxford observaram a diminuição na curva de casos no Reino Unido, o que os impactou.
Contudo, eles já se mobilizavam, naquela época, para ampliar os testes em uma região com altas taxas de circulação do Sars-Cov-2, a fim de comprovar a possível eficácia da vacina.
“É uma situação um pouco bizarra, porque você quer que o coronavírus desapareça, não quer que as infecções continuem. Um dos fatores limitantes de tudo isso é se a gente vai continuar a ter, nos países em que as vacinas estão sendo testadas, um número de infecção que permite que você teste essa vacina rapidamente”, explicou Daniela Ferreira, chefe do departamento de ciências clínicas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool.
Para participar destes testes para provar se a fórmula é eficaz, é preciso que os voluntários não tenham tido contato com o vírus – sendo que o Brasil é atualmente considerado o epicentro da pandemia.




